
Porém, ah! os porém que justificam tal mistério tenebroso que
a razão não pode responder, e que contêm as normas da Salvação. Salvar de se
deixar só escorrer na lama e nas gretas do pecado, e reviver o senso real das
criaturas humanas. Persistir até chegar ao cálice pleno do eterno Ser que em
nós habita escondido no mais íntimo coração. Eis, então, a alternativa única de
revirar essa história, no firo de cruzar a barreira da matéria e avistar logo, ali
adiante das vaidades que fogem, o nexo das virtudes, que disso contam os
místicos, as lendas e o impossível das epopeias de gigantes e fadas; às portas
de Si mesmo, a caravana erguerá, pois, braços além das muralhas de Jericó e receberá
o fruto doce das próprias descobertas na certeza doutras vidas de felicidade intensa.
Enquanto isso, o rufar das penas enormes desse pássaro
descomunal das gerações soará através do abismo, e das nuvens da esperança virão
novos sóis e séculos da consciência hoje ainda adormecida no frio dessas manhãs
invernosas. Quando, bem nessa hora, calados, quietos, ouviremos ao longe os acordes
suaves de um sax a dedilhar em surdina o mais apaixonado bolero.
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