segunda-feira, 20 de abril de 2026

O silêncio dos sentimentos


Vastidões deste sem fim de multidões inteiras preenchem de novo o claro imenso das memórias. São elas, as criaturas desse vazio a ser transpostos nalgum momento, a notar do quanto existe e substituir os sentimentos pelas verdades contidas em sensos e coerências, feitas de pensamento e dúvidas. Superpostos às virtudes, seguem juntos todos, tais senhores dalguma razão, no entanto movimento dos astros pelas horas do Infinito. Sabem, talvez, de si o mesmo tanto do que nunca antes imaginaram, e desfazem nas nuvens montanhas monumentais de circunstâncias. Padecem, quiçá, dos dramas intermináveis da Criação à procura do encontro definitivo com a sorte.

Transitam em tudo, pequenos espaços entre dois intervalos, na ânsia de, lá um tempo, ressoar através das encostas e dos destinos. Reunidos assim em volta das antigas fogueiras de ausências, surpreendem quase sempre diante desse inevitável poder, e nisto padecem de conhecer o que jamais deixarão de persistir. Destarte, mistérios sublimes, conduzem os barcos através de mil caminhos, de olhares circunspectos à borda dos espaços em constante deslumbramento. Acreditam, compreendem, alimentam séculos a fio, sonhares contumazes deles próprios.

Vertentes, por isso, de tamanha imensidão, observam de longe as interrogações trazidas lá de dentro feitas minúsculas fórmulas de verdades eternas. Sorrateiros, sagazes, ultrapassam a incoerência de viver no íntimo o desejo da perfeição absoluta. Nisto, ao sabor dos livramentos, ressurgem nas vagas incontáveis de quantos gestos espalhados na folha do Tempo, seu autor e senhor. Então, vêm e vão sucessivos embates da gente com a gente mesma, abrindo espaço a meio das existências de revelar certa feita o motivo de tudo em volta. Palavras que surpreendem e depois esquecem de outros sonhos dali conduzidos pelas hordas silenciosas de entes que adormecem sobre os sóis e permanecem acesos nalgum lugar do Paraíso.

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