sábado, 31 de janeiro de 2026

O princípio dos opostos


Nem de longe haver-se-ia de avistar qual seja um sem o outro, dois complementos inevitáveis, tanto do Mal quanto do Bem, vez trazerem ambos em si a própria sombra. Nesta, a base do quanto existe, porquanto existir a isto significa. Contudo, tais divisores desse duplo conhecer, dois universos, bem ali o Ser persiste. Essa paz que vem de dentro, na linguagem das criaturas, seres outros que buscam definir a compreensão e reconhecer o trilho donde anote viver sem consequências e interpretar essa linguagem. Até nem carecer julgar, demanda o mistério das vidas. A isto, tantas histórias individuais e o transitar do Tempo através das criaturas. Daí vagar entre passado e futuro a braços com o sentido único do quanto perdura, nas eras a fio.

Frutos disso, nascem as interpretações, filosofias, crenças, à cata incessante de respostas ao drama da Criação de que somos parceiros privilegiados do nexo do Absoluto. Perante uma simplicidade universal, veem consciências em movimento na face do Sol. Luzes, atitudes, pensamentos, e instrumentos vorazes das horas, na forma de pessoas e gestos.

Talvez outras versões descrevam o código das muitas existências, porém apenas dentro delas impera esse poder dalgum dia revelar o destino das almas durante os séculos aqui realizadas. Com isto, advêm os quantos significados e denominações, justas falas e nomes que justificam tanta procura, no decorrer dessa epopeia inexplicável a céu aberto e termos próprios do que possam contar.

Conquanto parceiros originais do Cosmos, preenchem crivos imensos de aventuras e transes pelos corredores sem fim, deuses em ação mesmo palco das verdades eternas. Sei que duvidam disso, vez em quando, porém aceitam de bom grado que assim aconteça. Heróis do firmamento, tão-só dispendem o sentido desse furor que lhes domina, e abrem os olhos a quantas providências que imperam no íntimo das certezas em revelação.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Uma realidade imaginária


Cada um que tenha a sua realidade. Cercados doutros seres, objetos e circunstâncias, criam em demasia previsões e plantam flores. Superpõem motivos e neles montam quais beduínos nesse deserto de fantasias constantes. Vagam. Suspiram. Viajam pelo mar sem fim das próprias dúvidas. Daí refazem noutras cores o que lhes resta e avaliam cumprir determinações desses outros territórios imensos das horas. A grosso modo, não vivem, encenam que vivem.

Bom, disto já se sabe a valer, conquanto parceiros, e assistem as mesmas montagens deles nascidas e projetadas nas telas de um suposto infinito. Além de que, nem sempre satisfeitos e querendo mais e mais dos trastes do Destino. Reclamam. Perduram. Insistem. Artesões dessas estruturas metálicas dos pensamentos, percorrem dias inteiros à sombra do anonimato refeito a cada gesto. Filmes sucessivos, incontáveis, despejados nas valas dos instrumentos que manipulam, que logo ali somem ao clarão dos sóis inesperados.

Quer-se dizer, no entanto, ser assim, no entanto ao sabor da perfeição do imediato, porquanto bem aceito no correr das gerações, transformado em narrativas inigualáveis, ao gosto em voga. Um retrato do que seja, a cara de um mundo de festa, descem e sobem os estrados do teatro monumental das residências de fadas e duendes, olhos fixos nas próximas cenas. Pouco, ou quase nada, satisfazem público feérico, passageiros das velhas histórias trazidas e dos gestos deles mesmos, senhores das quantas luas, autores admiráveis de tanta aceitação. Transitam a meio de tudo nos limites do lugar onde moram, nem sempre fieis aos princípios da certeza, porém dotados de prazeres a todo instante.

As palavras são suficientes de contar suas epopeias deixadas no itinerário até então percorrido pelos corredores das existências. E quantas vezes refazem os dias, surge dali a atividade intensa desse movimento iluminado da criação de si mesmo.  

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O domínio da vontade


Misto de ilusões com liberdade, voeja nos céus da Consciência esse poder maior que tange o mundo, a vontade dos seres. Querer ir e permanecer. Pensar e imaginar. Nutrir e desaparecer. Todos, sem exceção, que sustentam em si o Destino no andar das contingências, no lastro das imensidões, um afã sobremodo constante, porém sustentado pela força invisível de existir. Desde os menores entes, quer-se acreditar em seguir tal e não qual direção, por mínimos que sejam. O mesmo que aqui escolher pensamentos e palavras, e trazer o silêncio horas a fio no pomo da exatidão de um querer sem conta.

Austeros comandantes dessa instrução de viver e fazer sentido, escorrem nos traços do Infinito aparentemente inúteis atitudes, motivo de transcrever as histórias vividas e contadas. Espécies de objetos da própria essência, por vezes padecem doutros sensos e vomitam visões exacerbadas pelos porões da sorte. Nisso, inscrevem nas entranhas a finalidade do que decerto gostaria de ver acontecer.

Isto percorre os mistérios das individualidades, que jamais esquecem o transe de permanecer junto dos outros, no entanto silenciam a luta íntima de instante a instante. Daí, ninguém saber a contento aquilo guardado nas razões que lhes transportam ao desconhecido. A bem dizer, um composto do que pretendem e os desejos escondidos nos escombros do passado, de onde escutam o trotar das noites e padecem, no decorrer das madrugadas, a saudade e os desejos.  

Ao correr de quantas luas, resta patente a indagação de quem lhes domina, se não a vontade, o instinto de continuar à luz dos firmamentos. Dotados, pois, da condição inevitável de tocar em frente as dúvidas, só assim constroem seus monumentos, máquinas e terapias, tudo com a matéria-prima do inesperado que rasgam os hemisférios no furor de justificar mecanismos deles, nascidos no deserto da fama.

Além de que, vêm os números e suas narrativas em determinar o fervor das aventuras aqui largadas nos desfiladeiros do que antes transcorrera através dos fios da ausência desfeitos na correnteza dos dias que hão de vir a qualquer momento.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, de Juazeiro do Norte CE).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A capela do sítio

Lá onde nasci, no Tatu, em Lavras da Mangabeira, ao lado da casa, distante uns 50m, ficava a capela do sítio; possuía todas as características dos templos católicos, dotada de torre, sino, altar, sacristia, e era zelada com imenso carinho pela minha avó Lídia, mãe de meu pai. Sempre que possível, recebia a visita de algum sacerdote, quando oferecia missas, novenas, bênçãos, procissões. Ao presenciar as movimentações religiosas, que quase sempre ocorriam, eu, ainda bem criança, ficava a imaginar de que se tratava tudo aqui; algo falava na minha imaginação dos valores dessa busca humana pelo inefável da espiritualidade, o que me acompanha até hoje.

A abnegação de cultuar os valores sacros daquela gente permaneceu comigo em uma busca doutros padrões de consciência que enlevem à compreensão maior o que seja a realidade e o que fica de conhecer perante a Eternidade.

Depois, já em Crato, moraria conosco Tia Vanice, irmã de minha mãe e freira do Silêncio, ordem criada ao tempo do Papa Pio X, que não adotava o hábito tradicional das religiosas das outras ordens, usavam trajes comuns. Acompanhou durante nossa infância, minha e dos meus irmãos quanto à nossa formação religiosa. Nisto, aprenderia a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e outras orações cristãs, além de fazermos o Terço todas as noites antes de dormir. Vivenciávamos, assim, bem de perto, a formação de nossa família na sua tradição católica.

Só com o tempo, depois de palmilhar outros roteiros, inclusive do materialismo e da indiferença quanto espiritualidade, atravessaria épocas de indiferença a qualquer credo, de fases anarquistas, passando, inclusive pelos transes das substâncias psicodélicas e do álcool.

Já mais recentemente, décadas adiante e de muito percorrer essas vastidões de pensamento, chegaria ao espiritismo kardecista, o que me fez conhecer os conceitos de imortalidade e reencarnação de modo intenso.

Após maiores estudos no que tange esse viver religioso, guardo comigo desde os primeiros sinais de culto e dedicação ensinados por minha mãe, que rendia forte devoção mística aos santos e aos princípios de fidelidade e amor pela família, isso desde que me entendo de gente.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, de Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Portais da Consciência


Na antiguidade já falavam nisso, da possibilidade doutros lugares aonde poder despertar a compreensão do quanto existe em definito. São inúmeros os sinais espalhados pelos tempos a dizer dalguma alternativa diante do quanto persiste, anos a fio, o transcorrer dos acontecimentos espirituais. Vislumbrar outros meios de encontrar o próprio ser, face aos impasses dos sonhos de virtude, meios que signifiquem algo de duradouro, constante, a preencher o pomo da significação de estar aqui. Achar esse recanto aprazível da perenidade dos valores maiores.

Enquanto isto, perlustrar intemperanças na crosta do vento, ora felizes, noutras indecisos, inconstantes, incompatíveis. Quiçá, grosso modo, meros artesões de perspectivas por vezes às avessas conquanto imperfeitas, assustadoras, a saber aventureiros do Destino que se sejam eles. As inscrições pelas paredes dos labirintos descrevem bem esses sonhos insistentes quais como que sonâmbulos nas concepções, a vagar nos instantes, austeros, armados, ferrenhos. Autores parciais de si, porém afeitos ao imprevisível das ocorrências fortuitas.

Ao compasso das interpretações tão-só parciais, vislumbram alternativas por demais, nascidas do íntimo dessas mesmas criaturas. Criam teses, desvendam fórmulas mágicas, esperam nos serões das madrugadas, nas vidas, o despertar de um centro que lhes habita desde lá longe na existência. Convergem aos sentidos das cores, dos sóis, numa busca perene de novos inícios. Anseiam viagens fantásticas, descobertas territoriais, suaves mergulhos na alma, até substituir aqueles critérios até então caudais imensos de esperança trazidas consigo.

Sei que tateiam na escuridão desse tempo parcial de aventuras e romances alimentados de alternativas humanas que se desfazem ao compasso dos dias. Quando menos esperar, eis a postos os que assim vivenciaram as conquistas no âmbito invisível. E vêm, narram demasiado partos de iluminação, depois guardados nas sete capas da História. Sejam muitos, panteão de transcendência aos planos superiores. Em contrapartida, os que deixam este aqui persistirão à procura do caminho avassalador da Luz, na super-humana consciência, pois.

A balança de São Miguel


Dos mitos por demais considerados, São Miguel Arcanjo vê-se representado empunhando uma espada e uma balança para vencer Satanás, o que possui um significado tradicional em algumas culturas deste mundo.

A Balança de São Miguel Arcanjo simboliza a justiça divina, o julgamento imparcial e o discernimento de Deus, representando São Miguel pesando as almas no Dia do Juízo Final para decidir seu destino, e é um símbolo de sua luta contra o mal e proteção dos fiéis. É frequentemente visto em imagens e estátuas do Arcanjo, junto com sua espada, e representa a equidade e a retidão da justiça divina, sendo um amuleto de fé e proteção contra as forças do mal, além de patrono de juízes e daqueles que buscam a justiça.  Google

Tais tantos outros significados da balança, traz em si o princípio de avaliação das ações humanas diante da Eternidade, quando serão avaliadas, à luz de uma verdade plena, suas almas e suas ações quando aqui neste Chão. Símbolo do quanto imparcial ver-se-ão face a face com a infalibilidade da justiça maior, em que inexiste falhas no combate ao mal e na guarnição da certeza absoluta de tudo quanto há. Nisto, São Miguel representa o equilíbrio e a retidão em defesa d a concretude da Verdade perante o dizer da Justiça soberana.

A balança de São Miguel é um dos símbolos iconográficos mais fortes do Arcanjo, representando sua missão como o executor da justiça divina. 

(...)

Na arte, ele é frequentemente retratado segurando a balança em uma mão e a espada na outra (símbolo do combate espiritual), muitas vezes pisando sobre o dragão ou o demônio derrotado.  Idem

As tradições sustêm, pois, figurações semelhantes, a espelhar os arquétipos do Inconsciente, imagens que constam o sentido de recontar valores e pressupostos daquilo necessário ao eu consciente nas suas interpretações dos segredos da personalidade.

Daí, meios da compreensão reúnem, vez em quando, símbolos, figurações, imagens do que corresponde aos conceitos correntes. E a balança traz consigo o cerne da retidão de Deus e suas medições dos atos individuais através da Verdade e da Misericórdia. 

(Ilustração: TerraCota Arte Sacra).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sem título XXi


De tanto escutar esses traços das palavras que ecoam mundo a fora, por vezes contidas pelos muros do silêncio, dali veem, talvez, caminhos de chegar às outras pessoas. Esforço vão, todavia. São tudo em minúsculos seres. Visagens das tradições, dos lugares afastados da consciência. E dizem expandir nisto as margens que deixam à deriva, já noutras interpretações nos dias seguintes aos primeiros encontros. Por certo, nunca haverá, inteiro que seja, tal capacidade desse contato definitivo. Desde essas mesmas criaturas até compreenderem a si demanda vastidões. Nisso, quando menos esperar, fogem sorrateiras, nos despenhadeiros do Universo, e esquecem na distância do tempo aquilo de outrora, numa maior sem cerimônia. Desse jeito, impossível que seja a leitura absoluta daquilo gravado nas malhas dos pensamentos e sentimentos.

Depois de sustentar tais empenhos, rastros perdidos nas hostes de antes, ficam deles só pequenos retalhos gravados pelas cavernas sombrias daquelas mesmas criaturas. Procuram, sobremodo, conviver consigo e alimentam este percurso anônimo dos heróis impávidos. Apalpam as paredes do mistério e logo ali despejam os eus sucessivos que criam e desconhecem, isso bem aos moldes do quanto existe nos transes da matéria em volta. Cativos da memória, no entanto senhores da imaginação tardia. Perfis inesperados, padecem da solidão numa mistura fosca de abandono e saudade. A isto denominam temperamento, contrição e súplica.

Numa viagem incontida, mergulham pelos sons inigualáveis da existência, olhos acesos e lábios ressequidos, guerreiros da própria essência, vistos ao longe no corredor sem trégua das gerações. A que demandar o destino, instrumentos desta história que compõem passo a passo, atravessam oceanos profundos, deuses de muitos credos e canções. Narram histórias de sabor estonteante, matéria prima dos sonhos, noites a fio. Ao longo desse furor imaginário, encenam as civilizações inesquecíveis que hoje superpõem de aventuras, ritmos, números e ausências, juízo de tantas eras.

sábado, 24 de janeiro de 2026

O silêncio das alturas


Até que esforços têm sido feitos. Buscas vorazes de compreensão das sombras ao redor determinam instrumentos de avaliação no poder que impõe valores e vontade, porém restritos ao nível dagora. Quais cativos de tantas jornadas, seguem o trilho da História ao sabor dos ventos em volta. De certeza afeitos a respeitar seus limites e designações, vindos dalgum bastião secreto de tudo, nisto as palavras lhes trazem sempre conceitos novos e engenhos que produzem equipamentos às ânsias de tornar o mundo setor real de transformação. Sob tais condições, há que render homenagem aos esforços humanos durante os acontecimentos, nas longas noites de martírio dessas longas experiências.

Quer-se contar diferente. Trazer outra vez o instinto de perfeição bem característico da raça. Concatenar situações nunca vistas e modificar os destinos que aí estejam. Distantes ficaram a Torre de Babel, o Dilúvio, o Mar Vermelho e as invasões territoriais guardadas nas folhas mais antigas da Civilização. Então, dali passaram a rever os detalhes passíveis de outras interpretações, no entanto ao critério das lendas íntimas das mesmas criaturas. Reunir coerências e segurar o firmamento às ordens desse igual mistério sobranceiro.

Em resposta, agora persistem versões contemporâneas de serem os indivíduos as peças-chave de tais renovações que lhes aguardam logo ali à frente, transcritas derradeiras jornadas pela imensidão sem fim. Sopesar o tanto suficiente de trazer de novo a esperança nos melhores dias. São inúmeras legendas que falam, narram, descrevem, asseguram. Enquanto isto, no ritmo das horas, veem tão só resistências ao furor de um futuro por demais inevitável, de profundas mudanças internas, das próprias expectativas. Mormente quantas interrogações, habitam as consciências largos sinais de realização e doutras alegrias postas em movimento diante do Infinito. Assim, numa espécie de mera recordação, sobrevivem a todo custo sonhos felizes que alimentam os ideais distantes, todavia presentes no silêncio deste Tempo.   

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Paisagens internas


Qual quem chega aos lugares até então desconhecidos, figuras percorrem o limbo das memórias a preenchê-las de ondas sucessivas numa superfície em movimento. Toca os segredos ali escondidos desde sempre. Insiste rever o que nunca antes avistara. Superpõe imagens trazidas consigo, e agora refeitas de palavras. Isso tal os que contemplam fielmente o lastro dos infinitos, suste na própria consciência transes inteiros do que vira ao léu das aventuras, músicas integradas aos castelos da imaginação que o sustêm. Retalhos de tempo. Luzes a sumir no mais íntimo do Ser. Sombras persistentes daquilo que ora lhe pertence, conquanto frutos maduros do passado inevitável. Num vasto horizonte, distingue com facilidade o quanto viveu, e nisto sobrevive indefinidamente.  

Entre os vastos continentes, mostra a si mesmo aqueles fragmentos deixados pelas encostas do quanto traz na alma, sabores por vezes ignorados. Sabe, sim, de ficar no meio dos dois territórios. Padece face a tanto. Amargura dores lá tão antigas. Todavia reconhece haver sido e depois desfeito nas agruras seculares. Naqueles instantes ainda hoje restritos a valores da matéria bruta restou, pois, o penhor da realidade que transporta vidas a fio. Fugir, no entanto a nenhum lugar.

Nas frestas dessa floresta individual, dali avista tudo enquanto, espalhado nos dias que se foram. Espécie de longo itinerário da experiencia tardia, nesses céus desaparecidos, outrossim resiste nas folhas das lembranças, trata de interpretar aonde seguir. Pelos sonhos, capta visões definitivas doutras histórias. Aguarda, alimenta, convive. A duras penas, olha lá dentro esse abismo e tenta separar o joio do trigo, na medida que escuta as películas que regressam de longe, nítidos sinais dos comportamentos que agora reclamam espaço no presente.

Do lado de fora, que só existe na ilusão, percebe possibilidades sem igual de transcender, construir, continuar. Numa clara nitidez de nem contar das virtudes que houvesse, equilibra nos ombros as farpas de novos destinos. Bem isto, personagem insólito em mundos siderais...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A ponte dos pensamentos


É ainda uma tarefa do futuro integrar a noção geral e básica de que nossa existência psíquica tem dois polos.
Carl Gustav Jung

Por mais que se pretenda, seres assim habitam na fronteira desses dois territórios, da Eternidade com a realidade em movimento; do Inconsciente e da ilusão, mundo estranho e fugidio. No entremeio, ao que imaginarem onde existir, fervilham seus pensamentos, logo refeitos de palavras, gestos, cores, formas. Enquanto isto, olhos e ouvidos presenciam este agora impermanente pelas florestas dos sóis. Daí as tantas versões individuais das aparências que formam as nuvens em maio aos escombros do passado e das ausências.

As próprias palavras em si já carregam o senso das gerações e invadem superfícies inteiras de tais momentos, a convergir numa impressão desencontrada entre os indivíduos e os objetos. Trazem no bojo a força dos pensamentos grudados e imaginados. Cumprem função de transmitir as civilizações que escrevem os destinos e logo fazem dels matéria de outras e novas ilusões. Enquanto que as criaturas sustentam suas histórias, nisto fazendo delas as ficções pessoais espalhadas pelo Chão.

A grosso modo, arcabouços imensos de pretensas realidades significam as esculturas do que aqui ocorreu, senhoras que foram dos protagonistas em ação, fixas nas dobras do Infinito. Perante essas ocorrências, nascem os místicos, credores dos sonhos, aventureiros da busca do outro universo ali ao lado. Intermitentes, sucedem nas mesmas imagens, entretanto noutras imagens, nas legendas, nos mitos, nas lendas talvez esquecidas. Quais autores das consciências que transitaram nesse longo intervalo, reúnem de volta histórias sem conta dos que irão revelar a outra margem, algum dia.

As visões em atividade preenchem os farnéis dos comboios que transcrevem as antigas cenas deste inevitável. Segredam entre eles façanhas gloriosas dalgum instante aqui percorrido nas jornadas. Falam, escrevem, desenham, deixam lastros inteiros de doutrinas ao sabor dos que virão em sentido contrário. Conquanto perdurem na face dos céus, acreditam piamente no anseio da certeza de que também sejam frações mínimos de um Poder definitivo, eterno. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De algum lugar do Infinito


Seres humanos, esses pedaços estanques de uma só compreensão. Tal qual dizem, centros de tudo, um a um. Sementes lançadas pelos campos das histórias, e noites em movimento os sustentam dias e dias, na calada dos séculos. Razões de ser e transes de instantes que se tocam e não se desfazem entre si, moléculas da Luz. Nisto, de querer narrar o todo através de seus componentes, eles dotados do quanto existe e existirá sempre. Facetas recurvados dessa compreensão, talvez, nalgum tempo, adversas, porém de penhor inevitável do quanto nascerá, certa feita, a preencher de vez as comportas dos tantos oceanos espalhados neste e noutros mundo lá fora.

Nisso, a leitura real do firmamento, painel de estrelas mil também na face dos destinos individuais, hoje, aqui. Ao trocar olhares inesperados, no entanto sabem-se motivos dos padecimentos dagora. Transcrevem circunstâncias inéditas a cada vez, justos motivos de cumprir leis ora ainda deles desconhecidas. Entes assim dotados das visões do Paraíso, contudo cercados das ilusões do imediato, nestante.

Na ânsia, por isso, de atinar com os papiros do mistério, apenas obedecem a si próprios, vislumbres esquecidos dos princípios originais e cativos dos finais em andamento. Graças ao crivo das intensidades sob as quais vivem, descrevem seus princípios, alimentam as estações do pouco que lhes resta conhecer. Conquanto inúmeras perguntas que ecoam nos universos, sustêm na alma uma vontade soberana de liberdade, seja lá em qualquer quadrante. Bem isto, a doce estima de querer convencer multidões das súplicas que tangem gerações vidas a fora.

Diante dos enigmas sem igual, são desertos em volta, rudes às vezes; santos, noutras horas. Perquirir das palavras aquilo que as fermentam, réstias de sóis de novo trariam os desejos mais antigos de continuar nesse vale de dúvidas e interrogações. Sabem, entretanto, escutar, sorrir, transcender nalgum segundo ao som repetitivo das cercanias. E resistem fieis aos códigos da certeza que carregam dentro do coração.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O fascínio das presenças


E nelas se renhecer pelo poder de estar aqui e transformar o momento. Ser-se diante da realidade pura. Nisto, revelar o sonho até os limites das contradições. Dizer único de todas as virtudes. Fagulhas do princípio eterno. Versão circunstancial do que existirá lá um dia na forma de liberdade. Assim, um quadro exótico de todas contrições permeia de motivos a história desses personagens. Princípio e final das lendas contadas pelos alienígenas, todavia guardadas no íntimo das tão antigas criaturas individuais.

Matriz das ficções descritas nos firmamentos, há luzes que iluminam noites sucessivas a alma dos deuses neste revelar os seus destinos. Contam de tantos amores; descrevem universos inteiros na imaginação; dormem o sono das aventuras nos braços dos humanos hoje desaparecidos. Lânguidos, porém noutras raízes profundas de mistérios incontáveis, e nisso sobrevoam as próprias consciências quantas vezes refaçam o mesmo percurso...

Surpresas em si, constroem castelos encantados nas ilhas distantes e de lá trazem de volta desejos acumulados nas crostas do Tempo. Antes, tudo bem, isto, solidão e súplica. Entre letras e números, caravanas inteiras rumam ao mistério. Barcos em mar imenso face aos rochedos da sorte, habitam nuvens, cores, alimentos, famílias, saudades, composição inestimável de todos os ritmos e melodias.

Experimento dessas eras, sustentam aos ombros o fervor de mil sóis. Busca de certeza entre as árvores de uma floresta sem fim. Eles, um só. Senhores e cativos doutras civilizações, agora percorrem audazes os horizontes imaginários. Horas a fio, chamas vivas dos sentimentos que lhes percorrem as entranhas.

Carrilhões das catedrais onde acedem tantas tochas, mergulham no silêncio e, areia dos desertos sacrossantos, descrevem traçados fantásticos de sombras em volta dos céus. Vez enquanto, outrossim, devoram as palmeiras dos oásis e somem contrafeitos nas escórias dos depois. Bem certo que regressam, noutras paragens, e destarte prosseguem no crivo da imensidão.

E isto o que se sabe


Das tantas revelações que circulam pelo mundo, em termos de conhecer a Verdade e desvendar o segredo da Consciência, observo, entretanto, o método definitivo de chegar à pura compreensão. A que se pegar nos termos práticos? Qual assim o gesto crucial que consta das litanias, dos sermões religiosos, filosofias, definições psicológicas? No seio das criaturas humanas perdura o senso dessa busca inefável. Encontrar, encontrar consigo mesmo, distinguir o princípio do Universo e acalmar as perquirições, neste abismo daqui do Chão. Afinal, em quem depositar toda a carga das odisseias de tantos em que apenas alguns tendem revelar, e dizem haver obtido?

Há enciclopédias incontáveis de tradições e crenças a nortear os destinos. Mestres sucessivos narram de seus paradigmas através dos tempos. Máquinas de conhecimento que revertem nas interpretações mil palavras de virtudes. Subtendem conceitos preciosos trazidos ao lombo dos desertos e das histórias. Heróis, aventureiros, peregrinos, invadem, com isso, o campo das alquimias e contam lendas inesquecíveis, feitas de versos, romances, roteiros. Conquanto realistas a valer, no entanto reclamam métodos pertinentes que possam tocar adiante no rosto dos aprendizes.

Depois, percorridos que sejam calhamaços inteiros das revelações,  convêm as certezas que todos trazem na alma, instrumentos plenos dessa iluminação. Enquanto isto, no correr das epopeias, estas, a bem dizer, são repetitivas. Quase que numa constante reedição, tal qual ninguém houvesse escutado as muitas narrativas de transformação até aqui superpostas e difundidas.

Daí o desejo voraz de saber donde vem, aonde vai, quanto querer na forma de letras e papeis espalhados neste lugar. Numa prática fiel, a que simplicidade resumir os volteios da História e fazer da Terra um lugar de Paz e Felicidade. Durante, pois, longas jornadas, o Infinito perfaz as circunvoluções e permanecemos céleres nas suas justas circunstâncias, parceiros fieis do quanto possa existir.  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As armadilhas do caos


Sei que se habita um território pessoal, exclusivo, onde há liberdade incondicional predomina. Porém desse mesmo flanco interno nascem as decisões. Nelas, as rendições e os riscos em potencial. Neles, as dependências do ego. Quais sejam, as vaidades, os humores, os desejos, falsos ganhos, ilusões. Nisso, da própria criatura vão as suas quedas. Riscos mil rondam os muros da individualidade. Fôssemos apurar, as fraquezas seriam as mesmas quedas de que anseia fugir. Os ranços de atrasos que subvertem a razão, a justiça, a verdade. Espécies de cativos das pessoas limitações que ainda transportam vidas e vidas, multidões arrastam o peso de atrasos crônicos. Dali, as ditas tragédias indicam o nível de evolução dos seres, a par da Consciência em aprimoramento.

Dentre outros desses ardis que moram ali ao lado, a bem dizer aliados convenientes aos interesses em jogo, despontam os vícios, as carências, perdições por vezes inevitáveis ao crescimento. Testes sucessivos alimentam de vaidade o querer em vias de afirmação. As sociedades refletem essas mesmas limitações nas instituições precárias que lhes sustentam à face dos destinos. Resulta daí o instinto de sobrevivência, indivíduo a indivíduo, conquanto diante dos remorsos, mágoas, guerras, desperdícios.

Há que supor, vive-se aos olhos do caos em movimento quais minúsculos componentes de um quadro monumental. Ao furor das condições inevitáveis deste sistema, de tanto partilhar desafios externos, regressam a si, numa alternativa crucial de autodescoberta através valores em volta. Perante o eterno dos dramas e avanços das existências, tal momento ressurgem daquilo que antes aparecia a título de única finalidade, só existir. Isto lembra o mito de Platão e a função natural do quanto persiste seio das estruturas universais. A pessoa despertará, certa vez, das disposições aparentemente inexpugnáveis da presença física e distingue a luz desde sempre guardada no coração, ansiada por todos. Eis o trilho determinante das vidas em órbita no transcorrer das existências.

O conhecimento dessa estrutura de personalidade ora preenche laudas e laudas, no decorrer das muitas civilizações. Resta, no entanto, desvendar no mais íntimo esse modo desse controle da vontade e praticá-lo nas bases suficientes da plena realização do Ser, o mistério da essência de tudo, pois..

(Ilustração: Homem alimentando gansos (Cracóvia).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A imprevisibilidade do instante seguinte


Os mistérios da Natureza, isso do que compõe a barca da sublimidade, poder detém inexplicável o segredo em termos eternos. Por mais investiguem os fenômenos do Tempo, soturnamente prevalece o instinto da incompreensão por dizer absoluta. Qual se veja sob o crivo da imaginação, destarte segue o correr de todo acontecimento. Colunas descomunais de forças até então desconhecidas formam o furor das imprevisões. Algo assim semelhante aos véus que já encobrem de antiguidade aquilo que antes aconteceu.

Isso traz consigo a fleuma do inesperado em marcha continua, porém. O entremeio dos instantes, forma-se, pois, a jornada frontal do inconcebível em termos humanos. Dotados, por isto, de dúvida constante, eles vagam estremecidos pelas florestas desconhecidas da fortuna. De uma hora a outra, tudo parece reverte o senso da expectativa e demonstra valores até agora fruto só dos sonhos.

À busca dos motivos dessas elocubrações e fantasias, à luz das suposições, deslizam pelos dias hordas inteiras de tais expectadores do próprio anonimato. Apenas nisto, mínimo fator de sobrevivência, o que nos aguarda bem ali depois deste agora ferrenho, inevitável?!

Aspectos outros, contudo, subsistem aos penhores da procura, numa sede admirável de reviver o que escorrera há pouco pelas frestas do passado. Espécies quais senhores provisórios do que ora estejam a viver, nem de longe resistem à equação da ausência em queda livre rumo do abismo das alturas de quantas ocorrências enigmáticas. Batem a todo instante às portas dos seres abstratos que significam, face a tanto; mesmo sementes da inexistência que transportam no íntimo, ainda alimentam com sabedoria certezas a toda prova.  

Portanto, frutos da árvore da ciência do mal e do bem, saboreiam na essência de si o prolongamento do inigualável que o traz aqui, místicos autores de uma única realidade definitiva.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fronteiras do inexplicável


A harmonia, eis o crivo perfeito da Natureza... Desde os inícios tem sido assim; quer-se encontrar provas da existência de um Ser Superior que esteja no além, entretanto defrontam o inextinguível nas raízes abstratas donde isso possa ter vindo certa feita. Exatidão suprema, luz a mais intensa, os olhos brilhantes do firmamento, o silêncio vago das noites, manuscritos sucessivos que, logo ali, sobrevoam de volta o senso das alturas e trazem consigo as mesmas indagações. São tratados incontáveis, crenças, condições... De tão evidentes, nem se mostram só pela mera força do querer, dos caprichos, da sorte. As religiões anímicas detêm diversas as formas dessa fonte inesgotável nos seus tantos deuses espalhados nas muitas engrenagens que movimentam o Universo inteiro. Orixás das várias nuances percorrem os ritos mágicos, a demonstrar contexturas transcendentais naquilo que buscam demonstrar nos rituais soturnos. Energia. Energias. Fontes vivas do quanto existe entre os céus e a Terra. Enquanto que, junto de nós, a valer definições profundas, imperam fenômenos inigualáveis de poder ao fragor dos que veem pela imaginação a olhos vistos. Dar-se conta dos seres que movem o mundo em fagulhas próprias, das maiores às diminutas, ciência universal que preenche conceitos e dogmas de um a um, nas doutrinas, nos parlamentos, motivo suficiente de sustentar as bordas nas existências ocasionais, durante o quanto sejam pertinentes. Nisso, contudo, entremeiam de claridade as limitações humanas, seus afazeres e códigos, ao sabor das individualidades. Nem por isso, face a tanto, estagnam as longas histórias. Palavras falam disso. Dos acordes de tardes siderais. No sorriso das crianças. Na simplicidade das coisas simples. Transes e lembranças infindáveis ser-se-iam marcas indeléveis nas cores, nos astros, nos sonhos. Disto, despertam os sentimentos que alimentavam as horas dos segredos guardados. Vozes sussurradas apenas segredam aos corações aquilo que sempre aguardaram silenciosas as certezas da Perfeição.

sábado, 10 de janeiro de 2026

As árvores sentem saudade



Tal os animais, imagino que as árvores também sentem saudade. Soberanas vezes a gente pode comprovar isto. Dos animais, ninguém duvida, basta criar e acompanhar algum tempo. Vezes sem conta, após longos itinerários, lá de novo conosco se encontram e fazem festa de causar espanto. Alguns até, dizem ser mais sinceros do que os racionais, apesar destes também serem do mesmo reinado. Quis usar, no título, uma interrogação. Mas a escrita se propõe responder e não querer resposta.

Mesmo assim, face aos desmatamentos generalizados da atualidade, isto pelo mundo inteiro, mormente nos países onde ainda existem florestas, creio existir algum apego das árvores com as pessoas. Nisso me veio à lembrança um tempo em que vivi com meus irmãos e meus pais numa casa de área espaçosa em volta, no Bairro Pinto Madeira, em Crato. Nesse terreno existiam nove mangueiras, de famílias diferentes, a maioria manga espada. Moramos ali durante aproximados dez anos. Juntamente com os meninos da vizinhança, desfrutávamos a valer daquelas sombras em brincadeiras, longas conversas e descanso do meio-dia. A safra era o melhor tempo. Frutas a valer. Abusávamos de tanto chupar as mangas doces e deliciosas.

Lá adiante, meu pai construiria nossa casa própria nas imediações, inícios dos anos 60. Não posso assegurar, porém avalio que eu e a meninada da redondeza sofremos com a distância imposta às mangueiras, só que me vejo sem instrumentos de calcular o sofrimento das árvores no sentido contrário, elas a nós. Testemunho, no entanto, que duraram pouco tempo vivas. Secaram quase na mesma época, poucos anos depois. Foram murchando a folhagem. Ressecavam, deixando à mostra as galhas vazias ao Sol.

Bom, na verdade, são meras cogitações literárias de que haja sentimento fora dos seres humanos, isto noutros seres vivos, das árvores aos animais irracionais. Doutro jeito, eles têm quase tudo o que temos, apesar de menos drásticos nas suas atitudes.

(Ilustração: A árvore solitária, de Caspar David Friedrich).

Cristina


Fui vê-la duas vezes, na casa de uma prima onde residia em Crato, à Rua Getúlio Vargas. Da primeira vez, levava comigo encomenda do Padre Vieira, uma carta. Ele dissera no telefone que eu deveria conhecer Cristina, e que mandava essa carta aos meus cuidados para que fosse procurá-la. 

Recolhida a cadeira tipo preguiçosa, estatura mirrada, retorcida no próprio espinhaço, de cabeça pendente, sem o domínio das pernas, quase nula dos braços, resistia viva há mais de quarenta anos, sob o auxílio de parentes. Filha de mãe pobre habitante das margens do Rio Grangeiro, perto da cidade, imediações da atual Ponte das Piabas. Sua mãe namorara incerto homem casado, chegando a engravidar, motivo da vergonha dos pais, que só aceitaram a criança pela rara beleza de que fora dotada, trazendo alegria aos quantos desfrutavam do seu convívio. Próximo dali morava uma vizinha que possuía uma neta não tão esperta e cativante, o que lhe deixava triste. 

Certa tarde, enquanto a mãe de Cristina fora à bênção na Sé Catedral, a avó, levando consigo Cristina ainda de berço, desceu ao rio para buscar umas roupas estendidas. Durante alguns momentos, a menina ficara apenas sob os cuidados da vizinha que lá também se achava na ocasião, porém esse tempo foi o suficiente para ela aplicar, com um porrete de madeira que usado para bater a roupa, golpes vigorosos dirigidos nas costas do bebê, à altura da espinha dorsal.

Ouvidos os gritos, apressada, a avó retornou sem nada considerar de anormal. A mulher disfarçara o crime. Nos dias posteriores, arrumou seus pertences e logo mudou de endereço. Quando os familiares de Cristina perceberam o que acontecera, seria tarde demais; na ação perversa, a vizinha inutilizara quase por completo aquela criança.

Alguns anos transcorridos, num dia de feira, as duas avós ainda trocaram opiniões sobre o ocorrido daquela tarde. Os argumentos da vizinha invejosa demonstraram completa inocência, pois ignorava tudo sobre a perversidade. 

Então, Cristina cresceria doente, prostrara-se como a conheci. Segundo ela, tempos depois, já na idade adulta, uma madrugada, sem saber da morte daquela senhora, acordou vendo intensa luz dentro do quarto em que dormia. No clarão, acompanhado de forte ventania, divisou nítida a figura de uma freira, de rosto ameno, sorriso nos lábios. Ela, então, perguntou a Cristina se poderia perdoar a quem tão cedo lhe prejudicar, roubando-lhe a saúde e os seus movimentos. Pensou um pouco, avaliou tudo, o passado difícil, sua história, lembrou-se de sua mãe, dos avós desaparecidos, e de Deus. Não viu por que guardar mágoa, rancor, nem sede de vingança.

- Perdôo, sim – foi o que respondeu.

Daí, num crescendo intenso, principiou a ouvir longe uma voz sofrida que pedia: - Cristina, me perdoa? E a voz veio se aproximando a repetir o pedido: - Me perdoa? A cada repetição, ela ia respondendo: - Perdôo... Perdôo... Perdôo...

A voz aproximou-se mais e ouviu alguém abrir o portão de ferro do jardim, chegando junto da porta da frente, refazendo o peditório, silenciando no instante em que caiu em prantos. De novo tudo voltou a ficar calmo e o silêncio reinou pela madrugada. 

Eu, atencioso, só escutava a narrativa. O tempo passara e me despedi emocionado. Fiquei de voltar outra vez, houvesse oportunidade.

Naquela que seria a minha terceira visita, me vi surpreendido com a notícia de que fazia um mês que Cristina deixara este mundo. Deste modo, além das lembranças do seu aspecto de pessoa sofrida e conformada, dela tudo o que guardei deixo aqui contado nestas palavras escritas.    

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

As cores do Tempo

O passado é muito real e presente, apoderando-se de todos aqueles que não podem libertar-se satisfatoriamente. Carl Jung

Li nalgum canto serem os sonhos trazidos em preto e branco. Nisso, esperei a oportunidade e notei outras cores nos sonhos. Ao recordar as histórias sonhadas, lembro de suas cores quando disso me vem à lembrança querer saber. Assim com relação ao Tempo, no transcorrer das fases deixadas no passado, suas cores, seus detalhes e formas. Que essas recordações mexem com a gente, sei de certeza ser este o resultado. Tais filmes, regressam continuamente, aos feixes. Ali, no correr das tantas cenas, refazem situações as mais diversas, revivescendo-as na memória. De comum, nas emoções, pelos impactos causados.

Esses tais roteiros de dentro das pessoas oferecem margem a interpretações carregadas de já valores atuais. Quais livros de ficção, enchem o pensamento de circunstâncias talvez inesgotáveis. De resto, cheias das interrogações de aonde foram parar. Os enredos dessas memórias pedem, por certo, chance de refazer o que foram, no entanto na ânsia inútil de impossíveis mudanças. Autores padecem, pois, das mesmas dúvidas, no esforço de contar de um jeito suave, menos denso, ou trágico, quem saber? o que lhes chega à inspiração. Todavia repassam ao leitor sentimentos por vezes amargos, sombrios.

Qual seja assim, ocorre também nas pessoais. Há esforços de reconstruir a si próprio com as lamas de antigamente. Refundir acontecimentos, sobretudo aqueles que firam, no presente, seus protagonistas. No pensar desse modo, o futuro vem se prestar, sabem quando, ao ofício de revisão desse passado, no dizer dos místicos. Dessas tintas usadas antes, desse aprendizado de cores, far-se-ão, com isto, novas telas.

A qualquer instante, por isso, renascem as tonalidades daquelas outras horas, criação sadia e outras memórias, razão, quiçá, de paz na consciência.

Escrever tem disso, vontade diferente de novas narrativas, frutos doces nascidos a meio de intenções agradáveis, signos de suavidade e leveza. Conquanto venham em forma de recordações ressequidas, vivificam de luzes claras os sonhos que hão de vir logo adiante.

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A sobrevivência do Ser

 

Transpostas que foram ideias, palavras e atitudes, dali seguirá incólume o confronto das eras e das ausências. Há que supor existir tudo o mais, no entanto arcabouços monumentais, servidão e êxito. Mesmo assim, seguirão incólumes vidas a dentro, uno, a meio de multidões em desvario. Planos. Metas. Civilização. Ele, padrão universal das vozes, único, sacrossanto de mistérios. Desse império de subjetividade, comanda o quanto haverá desde sempre.

Isso, no reino da subjetividade, tudo pode acontecer a todo instante. Seres dispersos, contudo singulares de si em muitos. Nele, ao sabor das vertentes e dos enigmas, transitam os pensamentos e sentimentos, de uma exclusividade a bem dizer perfeita. Se réstias do passado, porém haustos do que virá logo depois ao sabor da sorte. Tais revestidos de cápsulas intransferíveis, definitivas, percorrem que tal o oceano dos desafios em volta do mistério.

Daí, nesse patamar inalienável deles todos em um só, transitam os demônios e anjos, a vagar altivos. Com eles, terras e céus se perdem de vista. São expressões constantes das horas em suspensão. Quanto padeçam, disso usufruem o campo de ideias e canções, de telas e filmes, jornadas e silêncio. Elaboram a valer as tramas daqui do Chão. Superpõem vanguardas a desaparecidos, criação e dúvidas.

Assim, lá num tempo, vieram as ilustrações das páginas com as quais buscavam dizer aonde imaginam chegar certa feita. Falam dos deuses, das idades, dos sonhos, fusão fundamental em voga nos livros mais antigos. Convergem de sobreviver a duras penas através de objetos e pessoas, espécie do empenho de quanto desejam sustentar das abstrações inevitáveis donde vivem.

Agora, nos olhos acesos de tantos segue o vazio a bordo das suposições, naquilo arrematado das impressões largadas aos sóis. Asseguram com veemência conter no íntimo, pelos meandros de si, a Verdade, retrato fiel dos seus julgamentos e desejos. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Além da sensibilidade


Noutro plano, onde inexista tempo e espaço. Rios de pura força do que se possa avistar com os olhos da consciência. Peregrinos audazes em forma invisível. Isso bem depois de cessar transes incontáveis de todas as respostas. Transcorreriam películas as mais audaciosas da imaginação pelas telas do quanto havia. Silêncio. Luzes impossíveis de ser. Nenhuma forma, nenhuma cor. Só movimentos inconstantes de pensamentos sem nexo. Isto a ponto de nem saber, ou ver, o que possa advir de tudo aquilo. Passos lentos, espasmos que sejam de uma multidão abismada no inerme da noite.

Enquanto isso, cá fora a vertente de vultos a sumir numa eternidade distante de visões e certezas. Relâmpagos de absurdos a envolver o Tempo e sustentar as horas ausentes dos céus. Então, dali circunstâncias alimentaram o vazio com expectativas vindas de um Cosmos silencioso, cercado dos seres invisíveis que o sustentam preso ao Nada.

Só nessa hora apareceram, pelas frestas da solidão, os raros peregrinos. Ali, muito menos palavras havia. Pura abstração. No entanto, apenas deixavam margem a supor pudessem conter, nalgum lugar, novas flores a meio de um caos absoluto. Diante, pois, do imponderável, do fragor da plenitude, qual demiurgo insólito, eis que surge, do teto das alturas, o Senhor da Veemência.

Numa retrospectiva ocasional, percepção haveria na presença única e definitiva de existir. Apenas rastros sobre um solo jamais conhecido. Lentos, lerdos, alguns primatas ainda admiravam o que quer que fosse, ao longe, no horizonte dos destinos. Se sabiam algo de sentir, ficaria na conta das ficções desses filmes surrais em circulação na Rede. Porém distinguiam nos céus as ausências de sinais dalguma transição antes impossível ao próprio perceber.

Bom, caudais a bem dizer intransponíveis à humana compreensão, nessa instância, ganharam forma pela primeira vez. De pronto, vieram, pois, atitudes de coerência lá entre os objetos e os seres, a preencher o século das muitas paisagens siderais. Vozes escutadas nas malhas do Infinito falavam disso, destes movimentos iniciais do coração humano a percorrer no rumo à Felicidade...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Paisagem interna


De comum é assim, ao escrever vemos de dentro o mundo lá de fora. Disso, vêm os enredos, temas vários, observações do quanto existe ou existirá certa feita. A forma de abordar fica, no encargo, dos autores em voga. Restringem os gestos e os desenvolvem, pondo-se na função de quem desvenda universos à parte. Os meios, as palavras e o leitor, estes seus elementos. Conquanto usufruam de aparente liberdade nesse ofício, há que sustentar o interesse dos que leem, a escolher padrões trazidos pelos tempos e costumes. Aquilo de autonomia que pudesse ter ao produzir vira condições inevitáveis, se é que pretende chegar a algum lugar no que faz.

Noutro extremo, existem os que escrevem a seguir instintos, inspirações, vindos sei lá de onde. Daí, imaginar, de vez em quando, que as próprias palavras têm vida e autonomia por si, e sujeitam coagir perceptores a fazer o que a elas esteja de bom grado. Desde então, os pretensos criadores passam a meros intermediários de roteiros vindos das luas do tempo e do espaço. Assim, tais avaliações circunscrevem diferentes aspectos, pondo em xeque, porém, a decantada autonomia dos escribas.

Nalgumas vezes, quem seria o autor defronta a condição de mero protagonista naquilo que traga à tona, neste mar enigmático. E invés de autor passa a espelho doutra condição de ser. Nisto, reflexos doutros argumentos que não aqueles a que se propôs na cena anterior. Algo compatível ao desejo profundo restrito aos percalços de novas determinações aleatórias. Senhores de si apenas em teoria, enquanto dalgum lugar advém fixar nas letras o fervor das imaginações que não a sua.

Eles, os autores, sabem por demais de tais circunstâncias. Aceitam, contudo, perante a força dessa intersecção de deles consigo, numa convenção vinda no gesto de transmitir. A penetrar nesse universo insólito, vislumbram paraísos os mais distantes. Rendem, destarte, graças a poderes originais vindos dalguma dimensão além dos céus que avistam agora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Novos sonhos


Quanto as lendas escondem; vêm doutras alternativas de sobreviver. Nisso, palavras silenciam, esquecem. Preenchem de infinitos restos deixados ao longo das eras e transformam as reverências noutras indagações. Nuvens intensas que dali haviam sumido, regressam, pois, doutras formas; superpõem circunstâncias e satisfazem os instintos. Nalgum lugar, certamente, tudo permanecerá de um jeito original. Danos viram meios de reencontros. Portas são abertas no transe do inigualável, e aqueles antes inexistentes passam, outra vez, a crescer de caules desconhecidos.

Forças assim incontáveis persistem nas antigas revelações. Demonstram só num momento inesperado as certezas ocultas, e alimentam consigo as multidões inermes. Esse correr extático recria o poder vindo dalgum lugar dos mistérios. Os sons chegam das dimensões do inimaginável e sobrevivem nas criaturas em movimento. No chão dos sentimentos, isso fala mais alto. Deixa entrever espetáculos de luz e cor dentro dos horizontes acesos. Traz de volta as histórias das ausências no jeito de consciências até então adormecidas no ermo. A bem dizer, significa superposições às ruínas dos impérios esfacelados.

O retrato delas, dessas quais figurações dotadas de plena imaginação, desfaz do passado o conteúdo abandonado. Conquanto sustente a iluminação nas sombras, controlam inventos e normas do que ora existe, numa fase de outras interpretações deste mundo insólito. Do inanimado, constrói seus instrumentos de continuar à face do Tempo. Alguns termos podem, em consequência, definir melhor, isto é, acharb o habitat da perfeição inigualável, fazendo-a motivo e nexo de todas as compreensões.

Muitos ensinam aspectos estes de sequenciar as cenas atuais. Informam detalhes aparentemente esquecidos de acalmar a si mesmo. Dos tais sacrifícios dessas jornadas infindas, dali recolhem os segmentos de sustentar os destinos a vir. Sabem, por demais, segredos trazidos nas próprias entranhas, e disso edificam cidades inteiras nos instantes dagora. Há que apaziguar situações guardadas nas lembranças, aclimatar desavenças, contornar reações adversas e desvendar o eterno do presente.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Sem título


Tempos de tudo dão conta de haver sido, eles mesmos, os autores, desde os dramas originais. Depois, fustigaram suposições, crenças, filosofias; e, então, vêm as respostas suficientes de encontrar pelos caminhos a luz que tanto imaginaram. Isto entre meandros de cores e formas, a preencher suas entranhas da alma.

Quer-se crer, desvendar segredos inatingíveis. Avançar pelas alamedas inevitáveis e desenvolver máquinas talvez enigmáticas. Somente agora, ao viajar na própria intimidade, reconhecem o quanto dali sempre alimentaram o sonho da perfeição. Haver-se-ia, no entanto, de mover as teclas da imensidade de qualquer maneira. Em si, o crivo das transformações era o que alimentava o quanto existe de procurar no escuro. Criador e criação. Prudentes quais foram, fustigaram o Infinito de dentro da humana ciência e aqui estamos.

Busca por demais, chegaria o tempo onde todo o Universo se resumiria nessa disposição individual. Percorrer infinitos, a bem dizer fustigar momentos outros de sistemas por demais sofisticados. Montar estações orbitais. Submergir nos códigos secretos. Cantar as melodias cósmicas inesquecíveis. Eis quando, diante do eterno, faceiam o mistério e nele fazem mudanças radicais. Cartas embaralhadas. Palpites. Desejos. Ilusões. Espasmos de reconhecimento. Tudo que significara rascunhos vinha a seguir.  

Hoje, o texto fala independente. Contém as inscrições deixadas nos primórdios. Revertem o itinerário da dúvida e vislumbram estrelas jamais vistas. Traços assim de conceitos remotos são trazidos ao lombo de camelos, no deserto dessa vastidão que tocam os sentimentos. Nisto, o eco das ausências decifra profecias e gestos até tocar as redes cerebrais.

Só resta, destarte, a criatura e o poder naquele território imenso da intuição onde restaram lembranças vagas, relíquias esquecidas nos transes, várzeas e séculos. Um a um, portanto, sujeitos se desprendem dos sóis e elaboram seu destino, a isto que vieram.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Abstrações


Uma irrealidade concreta; criações e palavras pela metade; versos soltos de um poema; ainda assim possíveis. As próprias ilusões têm forma. Entre dois vazios, o Tempo. Daí, se aprender, reunir não saber e saber. A imaginação vive disso, de contar a si o que nasceu de uma suposição. Tal poeira do pensamento, dali surgem as falas. Quais chamas de velas hipotéticas, riscam os céus de significados. Vagos horizontes de caminhos, portas abrem os meios de tocar adiante. As horas, mesmo, preenchem da existência impressões resistentes que permanecem na forma de lembranças. Fieiras imensas de lendas compõem as histórias gravadas em pedras e pó. Seres. Vultos. Cometas. Resquícios, talvez, doutras vivências, repetições controlam as letras, e das letras, as páginas. Estruturas que tanto, inundam as superfícies de paixões, delas fazendo tão só o teto dos instantes. Frases que sejam, impõem respostas ao silêncio. Heróis de outras civilizações dormem exaustos nos livros de antigamente. Nisso, andar pelas ruas à cata de mensagens deixadas ao léu. Único sentido, pois, reconhecer as ruínas daquilo que antes foi. Palmilhar contente nesses continentes da Eternidade sendo, (quem sabe?), resquícios dos dias feitos de lembranças. Pesa, no entanto, partilhar consigo próprio aqueles lugares desfeitos na ausência. Contos siderais despejados aos borbotões pelos quadrantes afora. Buscas sem norte das caravanas perdidas no deserto das sombras. Intuições quase semelhantes aos véus que hoje encobrem os destinos. Justos preceitos de verdades inevitáveis ao relento das noites. Fossem narrar, no entanto, vitórias incontáveis, permaneceriam assustados pelos cantos. Por isso, riscos profundos sustentam o teto das cidades em forma de visões esquecidas. Todavia, avançam calados, sujeitos abismados face aos valores que sempre prevalecem; mundos constantes de tempos imaginários. Absortos nesses conteúdos sincopados, observam ao longe o segmento das dúvidas que os levou fora dos sentidos. Perante todos os números, algo compõe o ritmo do que nos trouxe aqui.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A realidade e os sonhos


Lado a lado consigo próprio, duas as vertentes de um mesmo universo em tudo percorrem o espaço entre memórias e o Tempo, no furor do movimento. São incontáveis todos eles, os indivíduos na face dos instantes que existem à luz dos sóis. E totalizam no pensamento as circunstâncias deixadas pelo caminho. Seres ainda que desconhecidos de si, preenchem painéis imensos de histórias onde revertem seus sonhos. Nessa dita presença até então ignorada em termos definitivos de compreensão, viajam vidas e vidas.

Tais visagens palmilhando as aparências de certezas, superpõem de falas, gestos e interrogações o segmento das horas, feitas criaturas ausentes de onde vêm, criadas por quem. Autores constantes de planos e realizações, porém destituídas desta visão consistente das suas origens e desde quando.

Há que se indagar, ao sabor dos sentimentos, a diferença disto e da presença de um nada absoluto que, no entanto, lhes acompanha passos adiante, nessas estradas da sorte. Bem que impere nítido o desejo da consciência, porém aos pedaços de respostas ora em andamento. Fazem assim, aceitam os créditos do quanto trouxeram e oferecem nos mercados e feiras os frutos e os empreendimentos que produzem.

A meio de tantas gerações, leituras vagas, contudo, descrevem o que haveria de ser das notas fenomenais. Refazem percursos sucessivos de civilizações conhecidas ou desaparecidas. Estabelecem bases científicas de sobejas proporções espalhadas nos séculos que se vão. Outrossim, submersos ao êxito pessoal, vezes sem conta repetem aos milhões lá de longe, o cabal desses resultados inconclusos, logo ali reavaliados, todavia.

De que deixam claro pelas muitas interpretações e profecias, dá de aceitar o senso de origem extraordinária e plena, e passo a passo insistem no sonho de conhecer, além, a Criação e vislumbrar o seu Autor. Nisto perdura o andar de tudo em volta, senhores que sejam de imaginações inigualáveis. Outrossim, sobrevivem, nas duras penas, aos trechos imediatos nessas condições só parciais.