
Quem curte cinema de autor, jeito como denominam os filmes de arte, por exemplo, pode bem usufruir as criações dos diretores excepcionais, aqueles que utilizam com maestria a linguagem sob preocupações estéticas de refinado gosto.
Desses, merecem destaque alguns nomes: Ingmar Bergman, Louis Buñuel, François Truffaut, Michelangelo Antonioni, Vitório de Sica, Pier Paolo Pasolini, Jean Luc Godard, Glauber Rocha, Frederico Felini e Akira Kurosawa, numa amostra rápida.
É a propósito desse derradeiro diretor que queremos agora tecer algumas considerações: Akira Kurosawa estreou no cinema em 1942, com o filme Sugata Sanchiro. Conhecido no Ocidente através do filme Rashomon, com ele ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1951. Recebeu também um Leão de Prata, por Os sete samurais, a Palma de Ouro, do Festival de Cannes, por Kagemusha, a sombra do samurai; dois oscars, por Rashomon e Dersu Uzala; e mais um prêmio especial da academia que lhe foi conferido em 1990, por dois admiradores declarados - os cineastas Steven Spielberg e George Lucas.
Ao longo de sua carreira, tanto nos filmes de época (histórias de samurais), quanto nos que se desenrolam no Japão contemporâneo, o cinema de Kurosawa visa o desenvolvimento de uma consciência individual, o que um crítico, Donald Ritchie, chama de descoberta ou revelação da personalidade.
Kurosawa em momento algum renega suas origens japonesas, mas também aprecia o faroeste americano e a literatura russa clássica de Máximo Gorki e Dostoievski, os quais, junto de Shakespeare (Trono machado de sangue, baseado em Macbeth, e Ran, adaptado de Rei Lear), acham-se entre os autores que adaptou para a tela.
Porém há um filme de Kurosawa que consideramos sua obra-prima, Sonhos, encontrado fácil nas locadoras, onde narra oito histórias de seus sonhos, numa interpretação fílmica da rara beleza plástica, inesquecíveis aos que se dispuserem a conhecer. Criador torturado pela forma e, por isso, quase sempre insatisfeito com o que produzia, chegou a afirmar certa vez: A perfeição é impossível, e seguiu pelejando para realizar o filme ideal. Seus trabalhos podem não raiar o perfeito absoluto, mas acham-se dentre o que de mais belo e denso existe no cinema mundial de todos os tempos.
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