domingo, 15 de março de 2026

O peso da Cruz


Ao meu amigo Lirismar Macêdo

Uma vez poder escrever o que tange a minha vontade, busco dizer dos temas positivos, por vezes alegres, cheios de esperança. Foi do tempo, nos finais da década de 60, quando mantinha uma coluna no Jornal A Ação, em Crato, o que depois pensei publicar em livro, mas daí observei o peso daquela época, de pessimismo exacerbado e da impaciência de então. Hoje, porém, vejo diferente. Quero não tirar a alegria de ninguém. Abordar temas dotados de confiança no quanto acontece, uma vez sentir em tudo a força de um poder maior que rege e dispõe, de jeito positivo, a tônica das existências.

No entanto, reconheço estar aqui neste chão ainda de tantas contradições e desafios. E, nisso, lembro de sermos espíritos em evolução, a traçar metas e superar o fragor da matéria em nós próprios, isto sob a determinação do aperfeiçoamento de que somos peças necessárias e fundamentais. Quando acalmo os raciocínios à cata de sentido, recordo a missão de Jesus Cristo, exemplo desta missão de todos, seu mestre e modelo de tantos. Ele, a praticar o Bem no nível de quem conhece em tudo o destino que nos esperar, e padeceu às raias de inimigos extremos.

Nisto, o significado daquilo que teve de atravessar, a título de demonstração do quanto viera ensinar à Humanidade, nos moldes do egoísmo dos ditos poderosos. Julgado, torturado, coroado de espinhos e preso à Cruz, este o símbolo daquilo que se há de passar nesse transe dos seres humanos onde vivemos agora. Noutras palavras, ao desafio da carne, das contingências da Terra, rumo ao Infinito, cujo caminho existe no coração de todos, a lição suprema dos iluminados, caminho aonde haver-se-á de chegar quando vencer o estágio da força bruta. Enquanto isto, tão só temos a notícia dessa libertação em mundo de dualidades e ilusão, o enigma maior das consciências a serem despertadas lá certa feita.

Por mais ansiosos, nessa faixa estreita a meio do prazer físico e da Eternidade, somos os habitantes da imensa Luz desde sempre guardada nos sentimentos, um a um, senhores da libertação e da Paz.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Nalgum dos objetos em volta


Vem de longe esse gosto de conversar com os outros elementos que não sejam nós, os humanos. Ver, considerar, quem sabe?, um diálogo possível, imaginário, da gente com algum dos componentes dos palcos, das peças, numa pretensão talvez desencontrada do que andam dizendo neste mundo. De objetos em seres que também tenham de viver, contar de si e despejar nas circunstâncias os dramas soltos nos instantes das aventuras. Quase, por certo, tipo os animais, só que nem esses ainda participam tão intensamente dos sóis aqui em torno. Olham, padecem, analisar, sem, no entanto, trazer daqui quais narrativas lhes caberia preencher os bornais da imaginação.

Mas há disso desde sempre na consciência de menino. Ficar demorado na observação das alimárias que percorriam os terreiros, as estradas, o chão. E nisso o que pensar, pois, das histórias escritas, contadas nas valhas noites do passado. Saber, decerto, pela metade, aquilo que ficou guardado no quanto existe do furor dos acontecimentos. Aquela roupa folgada que se largou pelos cestos das horas e jamais regressou a procurar. Tal qual tantos abandonam leves amores em nome doutras pretensas aventuras errantes. As canetas deixadas ao relento das ruas, nas atitudes ingratas dos que delas tanto necessitavam logo ali antes uns poucos passos.

Bem isto, de contemplar longas paisagens e depois esquecer lá dentro dos muafos de quantas certezas de há muito deixadas de lado. Nisto, feitos senhores da ingratidão, semeiam dias e dias no coração das pessoas e as desmancham a meio dos trastes e viagens. A verdade, no entanto, fala mais alto, desvenda leis incontáveis no coração das criaturas, transformando-as em pequeninos seres ingratos, arrevesados. Todavia percorrem os trilhos das lendas aonde eles próprios hão de retornar e se deparar consigo na inevitabilidade dos olhos acesos.

Nesse diapasão da continuidade, dali renascem os sonhos, a vontade de encontrar tantas vezes o filão do Tempo, avô das humanidades, artesão do imprevisível, espalhado pelos universos que tudo sustentam e determinam.

quinta-feira, 12 de março de 2026

O abstrato das palavras


Disposição existe em admitir uma força maior ao poder dos acontecimentos. Enquanto que o sujeito conceitua os objetos, nesse espaço intermediário aprimora a consciência. Numa relação fortuita, nisto convive consigo próprio a perder de vista. Aperfeiçoa o conhecimento, a crença, certezas maiores a transportar, nalgum tempo, aos páramos superiores, sonho contumaz de, lá um dia, vencer a fragilidade deste chão. Aspiração desde sempre a transportar nos sentimentos, vislumbra a hipótese de uma vida além da carne, aonde possa usufruir da imensidade dos céus, livre das contingências e do desaparecimento.

Nesse meio donde segue pelos quadrantes do Infinito, dali observa a fragilidade os ditames sob os quais ora persiste. E estabelece o diálogo constante na entreface dos pensamentos e do que eles significam, na tradução daquilo que imagina, fala, ouve, incansáveis habitantes do ente que carrega na alma em si. São conversas intermináveis. Perguntas. Respondes. Observa os demais. Nas visões, nos desejos, noticiários.

Personagem da escritura de que busca o alimento, dias inesperados, dúvidas, percalços, a cruzar territórios por demais desconhecidos e vastos na intimidade onde sobrevive por vezes a duras penas. A exemplo, horas sofre, segura traslados, vacila nos pés, contudo afeito ao furor das circunstâncias e longe do seu domínio. Por quês imensos transporta no senso, na interrogação das razões de antes fartas e inatingíveis. Bem isso, este autor das ficções e perceptor dos disfarces incontidos, a viajar nas abas do vento.

Assim vêm as investigações de ser vítima ou herói, na medida em que experimenta continuar vidas e vidas nos bastiões da existência. Noutras vezes, usufrui de convicções plenas de haver um poder transcendente que rege tudo e todo qualquer fenômeno. Sustenta neste equilíbrio o gosto de tocar em frente, face a face aos mistérios de que faz parte integrante. Gosta de saber das novas teses e praticar as aventuras de quanta liberdade, ao correr das mesmas histórias, a tocar detidamente nas grossas muralhas da solidão individual.  

quarta-feira, 11 de março de 2026

As fronteiras da consciência


Terras sem fim que hoje lhes preenchem os olhos e desfazem lá dentro os pensamentos trazidos das estradas. Longos percursos rumo a si próprios estando bem aqui do lado. Vagas noites de um silêncio abissal. Luzes que às vezes acendem, doutras esquecem a quem iluminar, e, de novo, deixam escurecer a imensidão. Rios de água pura, no entanto submersos, talvez, nas ilusões. Esses protagonistas da sorte, que, extáticos, desde antigamente dividem e percorrem os mesmos lances de escada, ao abandono das lembranças até então guardadas nos sótãos das existências que sumiram.

Isto de ser que tanto e perlustrar tão só as visões do imediato, quais pescadores esquecidos nas praias do Universo onde habitam. E que vivem a se perguntar do destino, das roupas do próximo baile à fantasia, esquisitos autores de cenas jamais imaginadas, enquanto produzem o cenário de doces histórias que narram interminavelmente. Querem do Infinito apenas alguns do papeis improvisados, versões superficiais, daquilo que desejam, conquistaram e nem reconhecem.

Em rápidas pinceladas, seriam peças ainda indecifradas desse mais imenso tabuleiro de glórias fáceis e superficiais dos dias em transe. Contudo por demais indispensáveis, constantes e necessárias. Eles, minúsculos objetos em movimento a céu aberto, no desfilar interminável dos inesgotáveis compêndios. Estejam presentes ou ausentes, haver-se-ão a braços com os enigmas originais que trazem consigo perenemente.

Portadores, pois, das quantas variações dessas linguagens, dalgum lugar que sejam tangerão os barcos do Destino e sobreviverão a todo custo às tempestades imprescindíveis. Este qual par de circunstâncias nada além significa do que a razão primordial de estar aqui e sobreviver aos percalços das densas e maiores determinação. Um episódio individual e soberano mistério das ruínas, dos mitos, das lendas, fixados no quanto de valiosos, e confortam o Tempo, caudal supremo do que sempre existiu pelas quebradas do firmamento. Destarte, abraçam de tudo a inevitabilidade do Ser que os compõe. Acalmam o coração, fixam no íntimo as paisagens em volta e saem às novas e surpreendentes aventuras.

segunda-feira, 9 de março de 2026

As noites e os sonhos


Eles chegam sem prenúncio, há que se imaginar quais fossem, porém só depois das lembranças desmancharem no ar o pouco que seria dali guardado. De uma impetuosidade tamanha, no entanto prenhes de transes inimagináveis, sobrevivem ao vazio e oferecem narrativas, porém, de ser assim, algo intocado pelos sonhadores, seus fieis e inevitáveis parceiros. Tudo em volta, séculos de tamanhas surpresas que dentro em breve podem virá filmes, histórias e lendas, donde provêm, contudo, resta à Ciência desvendar com clareza.

Neles perduram isto de sabor imprevisível, circunstanciais de haver, tipo as composições musicais provenientes dalgum céu de longe e que chegam faceiras à inspiração dos autores. Tal quem escreve, donde vem tão só o instinto de transformar palavras em pensamentos nesse deslizar constante das falas íntimas. Uma quanta certeza, outrossim, carregam consigo vastidões inatingíveis, senhores que decerto das criaturas sonhadoras, no seguimento do deslizar-lhes na consciência. Sejam assustadores, dadivosos, íntimos, surpreendem pela força que carregam, e dominam aonde possam chegar.

Dali nascem os códigos dessa perene licenciatura das contrições de horas sem fim. Vadeiam pelas cercanias de todos, faceiros, audazes, surreais, numa surpreendente consistência até então sob o crivo das interrogações inexplicáveis. Qual fossem procedentes das próprias pessoas, deitam e rolam na interpretação daquilo que elas vivem e, quem sabe?, quisessem esquecer, sobretudo. Todavia trazem de volta os perrengues de quantas vivências, equívocos, padecimentos, desejos, vindos dalgum deus que os transportam aos bilhões e espalham noites a fio, ao silêncio dos ânimos calados.

Isso toca profundo nas existências, a ponto de supor alguns serem sonhados e não sonhadores. Transitam, sim, dentro da mais inteira liberdade, espécie de saltimbancos em movimento pelas quadras dos destinos. Uma safra, pois, de longos segredos soltos entre credos e desafios. Disto dão notícias atuais, revelam lastros encobertos de alvuras sem par. Primos-irmãos da plenitude, tocam o coração de tantos, seguido, furtivos, a sumir debaixo do manto ainda morno das silentes madrugadas.

domingo, 8 de março de 2026

Em meio a tantas luas


Decerto quantos habitantes desse universo ainda distante, porém já afeitos a novas interpretações. Ser-se-á um dentre inúmeros a testemunhar enigmas sem conta. Nisto, espécies de fome a imperar no vazio, vidas e vidas, que indagam o cerne do quanto existe. Sei, são fieis da resistência de continuar, feiticeiros de si, autores das ficções e os arautos das partículas infinitesimais de histórias sem fim, e preenchem de sortilégios o campo das visões em volta. Esperam desde longe ali chegar, pois.

A meio dos valores humanos, criaturas perfazem o intervalo das noites submersas nas ondas do inesperado. Enquanto isso, nada pode estagnar, que fosse, diante do mistério. As próprias palavras decidem o impacto desse reencontrar consigo, no íntimo dessas alimárias sob o peso de caravanas inteiras pelo deserto das compreensões até então adormecidas. Pórticos de novos ensinos, contudo revelados gradualmente através das consciências.

Observar dessas distâncias, a bem dizer intransponíveis, guardam no senso a luz dalguma revelação em andamento. Sustentam marcas, elevam pensamentos, contradizem a imaginação, o sabor dos mares e das cores. Tocam que signifiquem o vasto cotidiano desses tantos, deixados aqui na busca de perceber com o roteiro de gerações inteiras. Eles se veem, percebem pouco a pouco o limite de ontem no penhor dos dias seguintes; perduram nas manhãs sofisticadas, iluminadas de tudo e livres de viver.

Em volta, astros, imensidão, movimentos, sons inigualáveis, pessoas e objetos largados assim no teto das alturas. Conhecem, quiçá, o suficiente de suportar tamanhas interrogações, no entanto. Narram sonhos transcendentais na forma de suas epopeias e lendas, depois refeitas na lama dos outros padeceres. Alguns jogam xadrez nos vendavais da sorte e despejam ilusões aos deuses recém criados lá de dentro dos abismos mais profundos.

Nesse correr das inatingíveis aventuras, sofrem de lembranças escondidas a meio das ânsias trazidas no coração, cientes que estejam, nestante, da certeza dos melhores dias nalguma das estradas do Infinito.

sábado, 7 de março de 2026

As luzes da credibilidade


Estirões sem limite resumem continuar durante essas gerações. Trâmites por demais inesperados fazem disso, a bem dizer, a justificativa de tudo. Senão, que mais fora das horas? Isso de um tempo poderoso no domínio de quem esteja além das meras cogitações. Em volta disso, os monturos e a fria imaginação. Transes do inesperado, pois, somados aos pretensos autores, definem, pouco a pouco, o justo motivo do quanto existirá sempre.

Ao ver assim, circunstâncias e figurantes já perfazem todos os lances desse tabuleiro em que persistem as criaturas de qualquer natureza. Umas, maiores; outras, fruto das próprias dimensões arrevesadas no tacho da ilusão. Nesse sequenciar das palavras, hostes intermináveis de mistérios os conduzem pelo campo. Disto, as filosofias e crenças sob as quais constroem palácios e subúrbios. A se pensar nas multidões, quanto furor de compreensão desfilam pelos ares. Em cada cabeça, uma sentença. Descrito esse universo de microrganismos e movimento, tem-se o Infinito em pequenas doses e conceitos inevitáveis.

Passadas fossem tantas histórias, restariam tão só os abismos em formação, dias e dias. Impressões, emoções, crostas acumuladas nos ombros do firmamento. Com isto, escutam vozes. Nascem novas sementes. Sobrevivem aqueles mesmos que antes preencheram no vácuo os destinos. Alguns ainda escolhem dizer daquelas vozes ouvidas de não se sabe onde. Parcelas e dúvidas multiplicam esperanças, sustentam as encostas de longas travessias e logo depois aceitam também desaparecer pelo corredor dos pensamentos.

Contadas tamanhas atitudes, resta, pois, a tela do silêncio no coração de todos, presente o eito dos sentimentos. Serem eles, a qualquer custo. Segurar as hastes do Sol e prosseguir nalgum instante lá que estejam noutras invenções e certezas guardadas em si próprio. No tal diapasão, dali significam o clímax dalgum desejo, sobremodo inscrito nas gradas da real compreensão.