quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Árvores do Paraíso


Ausentes que sejam esses registros, há que buscar nalguma imaginação tais referências, porquanto delas vêm todos eles, seres e objetos. Qual o quê, espécimes diversos vagueiam pelos córregos, nas gerações, a contar outras histórias, conquanto ainda sustentam lembranças daqueles contemporâneos de Noé deixados atrás ao momento das águas que tomavam o querer da Terra. Nisto, vastidões enormes, através das consciências, mostram fortes indícios de outras plantas até então desconhecidas que alimentavam viventes em volta.

Mesmo sentido a considerar quanto diversos argumentos guardados debaixo do solo aonde almas insistem mergulhar, horas a fio, na ânsia de quais encontros outra vez. Conhecer, por demais, a isto significa perdurar nessa floresta inigualável, talvez fruto das sementes deixadas entre os cascalhos, após a submissão dos seus primeiros habitantes que nos trouxeram aqui.

Conquanto senhores de baixas sucessivas, representam descendências inteiras no meio das raças deste mundo. Falam códigos às vezes inteligíveis, porém cobertos da lama daqueles primeiros embates. Por isto, no íntimo de todo ser existem céus sem conta, transmigração do que havia naqueles inícios arcaicos. O que mais espanta nasce disto, das sombras de supostas interrogações. Vozes recônditas seguem soltas pelos brejos, caatingas, vilarejos, numa sequência original de descobrir aqueles motivos primeiros, acrescentados ao furor das tradições.

Desvendar camadas profundas daquele parto intenso, entrecruzado na força das origens, eis em que andar no antigo chão e reconhecer partes individuais das atitudes, quer-se, todavia, apartar de si a escuridão das eras e reinventar primeiros passos da incalculável intenção. Viver descreve o roteiro nas entranhas de todos, contudo. Nas escrituras antigas havia sinais disso, depois reduzidos a meras suposições e abandonados pelas praias do Infinito.

Ao transitar nesses espaços de inexistência, se perdem nítidos onde foram terminar caules e folhagens dessas lendas feitas de sonhos e de outras dimensões, agora resquícios só imaginários, fervilhando o coração daquelas iguais criaturas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As palavras e as cores


Mínimo esforço, e dali vêm à tona os sons, formas várias talvez, a criar das ideias o movimento. São lastros infinitos de se chegar às compreensões, independente da vontade e donde nascem. De si, os instrumentos de pensar os mundos tocam adiante. Nisso, desde lá longe, revestem o vazio do passado e demostram, tantas e quantas vezes, iguais acontecimentos deixados à margem das histórias, de novo a rever essa trilha imensa dos tantos que já habitaram este chão.

Daí, juntar pouco a pouco o silêncio a essas possibilidades faz da gente moléculas das horas, sem esquecer, todavia, nenhum dos detalhes aqui vivenciados. Espécies de conteúdo em atividade, preenchem viagens ilimitadas no íntimo de todos, nisto a formar roteiros de inúmeros dos autores vistos agora nas memórias individuais.

Correr a torto, a direito, pelas jornadas, e séculos, contudo ainda assim permanecem nalgum lugar, nalguma constelação. Conquanto nada desaparece, pois, do quanto existe, ser-se-á a iluminação de um panorama enorme do que exercita viver. Seres tais fervilham nas superfícies de mares incontáveis que significam lendas e mitos a construir a tapeçaria do Universo.

Neles, nas quais criaturas impávidas, vagueiam multidões aos milhares, feitas de suor e sangue, desejos e sentimentos, alimentados no Tempo e senhores de si próprios. Painel sem limites, ao longe, nas profundezas do mistério, ali sobrevivem de sol a sol. Monarcas de impérios ora desfeitos em cinzas, no entanto insistem continuar no espaço entre os astros, a escrever o código secreto da imortalidade.

Então, um a um, perfazem no íntimo a grandeza do que têm de narrar aos ouvidos da humana solidão. Sustentam seus diálogos intérminos; substituem o instinto pela intuição; e nisso estabelecem novos mundos aonde possam chegar certa feita.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

Nesse correr de argumentos, largam folhas sucessivas de contos surreais diante dos olhos acesos da imensidão, somando pedaços deles a desenhos enigmáticos do quanto ocorre no sabor de toda sorte.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Saber mais


E se amas a vida não temerás o futuro, pois a vida é o próprio mistério.
Khalil Gibran

Nos entremeios da dúvida, eis onde percorrem, visões sucessivas, as constantes caravanas em um mar de perdidas ilusões. No entanto, face aos limites dos sentimentos, daí perpetuam querer, lá num dia, revelar a si o quanto de segredos habitam este Universo. Perguntar, mirar na profundeza das dores seus aspectos definitivos de orientação. Despertar, portanto, do marasmo das repetições e encontrar a raiz de tudo, enfim. Na calma, na paciência, leveza sem par aos olhos da imensidão,

Desde sempre, indagar dos anseios inevitáveis, e presenciar na consciência esse mistério do Tempo a distinguir da Paz sua essência. Nisto, as religiões, filosofias, discernimentos guardados pelas profundezas dos astros. Clarear o coração e sustentar, no trilho da compreensão, o reconhecimento de estar aqui, a que se veio. Um e todos, insistentes anseios de transitar a meio do quanto existe, e tocar as bordas de certezas e soluções. Ver além da visão.

Nas horas mórbidas, quando defrontar o teto das confissões, dali surgem as normas do inesperado, misto de padecimentos e ausências. Entretanto, no correr das histórias, advém o arrependimento de antigas práticas, carcomidos prazeres, desvarios... Tais instantes cobram valores e fragilidades. Preço incontável doutras aventuras vem à tona, sem mostrar os corredores de fuga, conquanto daqui de dentro há que permanecer as criaturas, então.

As palavras contam essa vastidão de existências impávidas, afoitas perante o Infinito, mergulhadas que foram numa aparência de liberdade. Neste andar das circunstâncias, é-se um só a convergir ao eterno das eras sem fim. Com isto, as interrogações frontais da gente consigo próprio. Rio imenso a ser transposto, tais visões abstratas, preenchem o vale das sombras e aguarda, lá adiante, que seja o significado, a salvação.

Num transe de respostas inigualáveis, a que veio, pois, de persistir nas lendas vivas senão transitar à busca da realização do Ser que o somos?!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Mitos e visões


De mesma vontade de tantos vêm os tais instrumentos de acreditar nos sonhos desde sempre. Na longa caminhada, filamentos descem dos céus e preenchem de cores os sentimentos, demonstrando sua força que domina os mundos. A meio disso, os habitantes de estrelas se põem a observar o Cosmos e percorrem esses longos corredores dos hemisférios, cientes, a bem dizer, donde chegar-se-á momento destes. Nascem lá de dentro das nuvens. Descem contrafeitos ao panorama dos momentos e anotam na memória traços inesquecíveis, guardados nas ilhas da consciência.

Perante quais lendas, descobrem existência até então que viviam tão só nas impressões gravadas nas ausências. Superpõem vagas lembranças dalguns seres com quem trocaram vidas e muitas epopeias e agora andam lado a lado. Das muitas e mais variadas espécies, são entes a procurar e o que significa aquilo enviesado no íntimo das mesmas criaturas que ora estejam do seu lado aqui. Blocos de significados mostram características diversas. Às vezes, animais, visagens, flores, outros humanos trajados de fantasias e gestos.

Qual o quê, viajam pelas alturas e permanecem escondidos nas sombras e nos bosques. Sobrevoam o teto da imaginação e resistem a duras penas aos mergulhos de quantos já sumiram, diante dos dias deste chão. Fossem revivê-los no fulgor das criaturas, desvendariam, de certeza, todas as aventuras humanas dos infinitos. Mas, por isso, as paisagens das entranhas de si constroem esses palácios no mistério.

Andam soltos em longas alcateias ao leu da sorte. Tramam, exercem papeis estoicos, transparecem, superpostos na caligrafia dagora, enquanto novos acontecimentos exercem iguais oportunidades aos que desfazem suas mesmas histórias. Descritas, pois, várias situações, eis que nos vemos face a face conosco próprios, a interpretar códigos sem final ali contidos nas inúmeras bibliotecas deste mundo.

(Ilustração: Aldemir Martins).

sábado, 27 de dezembro de 2025

As muralhas do Inconsciente


A que é que se destina... Vencer o inevitável e perlustrar despenhadeiros abaixo, à busca do sentido dessas estradas inolvidáveis; viver sem conta; continuar rios acima no rumo do Infinito. Horas gerais isto que toca o coro dos céus, na busca incessante dos meios necessários de cruzar tantas muralhas aqui bem ao lado disso, das horas, arcabouços de tantas jornadas inscritas na alma, gosto fiel dos sentimentos, mantém laços próprios das existências. Mas nisso eis o trem de alimentar seus sonhos ora em movimento.

Quantas pessoas nessa paisagem que se renova constantemente. E em cada uma as largas histórias, seus fracassos, angústias, definições, esperanças, planos, desejos, sobrevivência inédita de estar aqui aos sóis de todo tempo. Eles todos, milhões, bilhões, habitantes do cosmos a meio dos princípios até então desconhecidos.

Nisto, numa sequência natural, lá um dia dão de cara com o desconhecido de si próprio, submissos ao poder do mistério. Pisam as antigas veredas de tradições inesquecíveis, e mergulham pelas sombras dos astros. Querem descobrir a que estejam e aonde irão. Conquanto isso, dobras dessas ansiedades contundem, indagam das palavras, dos taumaturgos, das cartas, o segredo das consciências acesas, feitos protagonistas originais do que os traz até nestante.

Carcomem do passado o farnel de longas caminhadas, pedaços que foram de películas largadas no eito e queimadas ao vento. Ouvem, das epopeias, as virtudes, os percalços, feitos pequeninos seres, no entanto eternos, dos padrões universas. Houvessem outros autores, e seriam assim personagens vagos doutras histórias, doutros romances, de novas filosofias. Outrossim, hão de aceitar, queiram ou não, o instinto das interpretações que já transportam aos ombros. Submissos, pois, nos caminhos da continuidade, abrirão, certa feita, o coração e irão aceitar de bom grado todos aqueles lances das infinitas aventuras agora cativas da memória, após demasiados experimentos de onde fizeram morada.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Desde quando tudo aconteceu


Teto das alturas, e um mundo aos próprios pés. Espaço intermediário entre sonhar e existir, pelas folhas do Tempo, todos eles percorrem o imediato, ainda sob o crivo de um líquido desconhecido que nascem das primeiras flores. E fugir de volta aos lugares de longe, às madrugadas, ao silêncio das ruas desertas. Histórias mil a ser contadas. Uma geração inteira a contornar de saudade aquilo tudo, e reviver as agruras de inteira solidão agora presente.

Pudessem haver anotado o quando disto acontecer, quase que o silvo das cigarras faria sentido de tudo querendo viver nas horas extremas os espetáculos de então visitados. Espécie de abstração do que nunca se dera, assim sobrevivem multidões inteiras, largando pelos universos a impressão de valores, desejos e dúvidas. Nisso, recolhem as normas do primeiro amanhecer, depois de passarem séculos inteiros de escuridão.

Quaisquer impulsos e, de novo, a memória surpreende novas revelações, deixando ao vazio pura intenção de continuar aqui e permitir que palavras falem, invés dos gestos até agora adormecidos em saudade. Senhores, portanto, de preservar o panorama das quantas histórias guardadas no firmamento, resistem a custo ao furor do inexistente. Bem isto, das lembranças dos tantos heróis, ídolos de horas afetuosas espalhas pelos campos, ideias e certezas expostas ao relento de épocas férvidas, colossos do coração.

Crer-se ficarem certas verdades escondidas nesse inverno de consciências. Nas músicas, nos livros, nas festas apagadas, circunstâncias dos dias numa só paisagem indomável de circunstâncias inscritas nas antigas paredes da existência. Num abrir e fechar de olhos, qual contornar o esquecimento, agora refazem o percurso lá dentro das vidas e alimentam de tudo o sentimento de eternidade há tempos, na alma dos tais protagonistas. Habitantes, por isso, do vasto continente desses fulgores, ora contêm de sempre a vontade ferrenha de estar onde estejam, sem, no entanto, abandonar os amores de antes. Acreditar no gesto das convicções, pois, e reunir em único ser a voz plena dos melhores momentos vividos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

À busca de interpretações


Qual nas histórias sem fim, desse jeito as criaturas humanas e o instinto de compreender as causas outras de um tudo onde preencher de existência os continentes distantes. Desde sempre, buscam, nas malhas dos relacionamentos, motivos de simplificar as intenções. Sujeitam-se aos valores que repetem, dividem com os demais e sustentam, nas teses fantasiosas de si. Querem juntar em única visão a paisagem universal e nisso viajam pelas ilusões feitos seres incontrolados.

Nem de longe, por isso, resolvem de tudo equações e desafios. Criam, é verdade, lastros enormes das respostas que ocorrem à medida do Tempo. Sabem, no entanto, isto ser o fruto amargo dos pensamentos/sentimentos, espécies de entes esquisitos que habitam o firmamento e querem dominar as tais criaturas próximas. Diante da tal matéria bruta, lugar em que ora vivem, reproduzem cenas incontáveis dos dias, a buscar o senso pela estrada longa à sua frente.

Mesmo perante território enigmático, superam normas antigas de padrões e experiências, tateando o escuro deste chão. Recorrem aos códigos gravados pelos semelhantes; trabalham, refazem, reúnem, e anseiam desvendar, porém cativos da escuridão donde vêm. Daí, face ao território inabitável da dúvida, ao término, lhes sobra aceitar o que deixarem aos pósteros.

São relíquias das tradições, dos livros, lembranças vagas daqueles mais astuciosos, dispostos a fervilhar as cinzas e contar do que dali interpretam. Conquanto façam nascer novos símbolos, letras, números, palavras, textos, persistem aos olhos da Eternidade autores de equações quase nunca suficientes. Transitam pelos ares feitos componentes absurdos das lendas deixadas incompletas nas arcas dos destinos.

Dos saltos das gerações, provêm emissários perspicazes, tipos isolados nas noites do mistério tão só a colher fragmentos esquecidos nas calçadas da História, de quem talvez possam avaliar seus segredos e mitos. Bem suportam cruzar os mares do desconhecido, todavia sujeitos a sucumbir, porquanto o fazem no barco do esquecimento. Visto destarte, outra sorte há de ter esses aventureiros nas asas da imensidão.