A inscrição do absoluto dentro das criaturas humanas, isto que bem significa reviver as vidas e traduzir em falas e gestos o que restou na estrada. Superposição de cores e formas, sons, impressões, painel entranhado nas consciências feito de viagens ao inexistente, num fraguar inevitável. É-se um hoje para sempre nas folhas imensas de emoção e temporalidade firmadas no íntimo. Nisso, as camadas sucessivas de lembranças que restam soltas nesse movimento de contar o Tempo através dos instantes presenciados.
Dali, muito houve até então
daquilo aparentemente deixado nos escombros, no entanto vivo nas formas inesperadas
de tudo então gravado. Conquanto as palavras busquem localizar tais escolhas,
todavia novos acontecimentos insistem preencher o crivo do anonimato. Já foram
tantos, e mais ainda formar-se-ão à face dos destinos dessas mesmas criaturas
que regressam ao invisível.
Quanto acúmulo a se imaginar
ser de memórias que vem sendo feito do existe desde antes, dos começos. Isto
que instrumenta gerações inteiras a responder ao silêncio. Às vezes me pego a
indagar de mim donde vieram quantas histórias, novos personagens e lugares,
numa faina inextinguível pelas garras do desaparecimento. Inúmeras
circunstâncias em correr nos séculos e disto o resultado em forma dos fragmentos
em volta. Há provérbio africano que resume este dizer numa frase: Quando morre um ser humano, fecha uma
biblioteca.
Noutras horas, o desejo voraz
de continuar dalgum jeito através doutros conceitos, outros céus. Alguns falam
disso, dão lá suas notícias, descrevem planos e possibilidades, a ver do
impossível as divisões nas paragens do Infinito. Os passos iniciais são estes
daqui, através dos dias, das esperanças, trazendo-as na essência o próprio Ser
que o somos. Nas paragens visíveis, a perfeição dos fenômenos adormece na alma
e tocamos em frente, séculos afora.