segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De algum lugar do Infinito


Seres humanos, esses pedaços estanques de uma só compreensão. Tal qual dizem, centros de tudo, um a um. Sementes lançadas pelos campos das histórias, e noites em movimento os sustentam dias e dias, na calada dos séculos. Razões de ser e transes de instantes que se tocam e não se desfazem entre si, moléculas da Luz. Nisto, de querer narrar o todo através de seus componentes, eles dotados do quanto existe e existirá sempre. Facetas recurvados dessa compreensão, talvez, nalgum tempo, adversas, porém de penhor inevitável do quanto nascerá, certa feita, a preencher de vez as comportas dos tantos oceanos espalhados neste e noutros mundo lá fora.

Nisso, a leitura real do firmamento, painel de estrelas mil também na face dos destinos individuais, hoje, aqui. Ao trocar olhares inesperados, no entanto sabem-se motivos dos padecimentos dagora. Transcrevem circunstâncias inéditas a cada vez, justos motivos de cumprir leis ora ainda deles desconhecidas. Entes assim dotados das visões do Paraíso, contudo cercados das ilusões do imediato, nestante.

Na ânsia, por isso, de atinar com os papiros do mistério, apenas obedecem a si próprios, vislumbres esquecidos dos princípios originais e cativos dos finais em andamento. Graças ao crivo das intensidades sob as quais vivem, descrevem seus princípios, alimentam as estações do pouco que lhes resta conhecer. Conquanto inúmeras perguntas que ecoam nos universos, sustêm na alma uma vontade soberana de liberdade, seja lá em qualquer quadrante. Bem isto, a doce estima de querer convencer multidões das súplicas que tangem gerações vidas a fora.

Diante dos enigmas sem igual, são desertos em volta, rudes às vezes; santos, noutras horas. Perquirir das palavras aquilo que as fermentam, réstias de sóis de novo trariam os desejos mais antigos de continuar nesse vale de dúvidas e interrogações. Sabem, entretanto, escutar, sorrir, transcender nalgum segundo ao som repetitivo das cercanias. E resistem fieis aos códigos da certeza que carregam dentro do coração.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O fascínio das presenças


E nelas se renhecer pelo poder de estar aqui e transformar o momento. Ser-se diante da realidade pura. Nisto, revelar o sonho até os limites das contradições. Dizer único de todas as virtudes. Fagulhas do princípio eterno. Versão circunstancial do que existirá lá um dia na forma de liberdade. Assim, um quadro exótico de todas contrições permeia de motivos a história desses personagens. Princípio e final das lendas contadas pelos alienígenas, todavia guardadas no íntimo das tão antigas criaturas individuais.

Matriz das ficções descritas nos firmamentos, há luzes que iluminam noites sucessivas a alma dos deuses neste revelar os seus destinos. Contam de tantos amores; descrevem universos inteiros na imaginação; dormem o sono das aventuras nos braços dos humanos hoje desaparecidos. Lânguidos, porém noutras raízes profundas de mistérios incontáveis, e nisso sobrevoam as próprias consciências quantas vezes refaçam o mesmo percurso...

Surpresas em si, constroem castelos encantados nas ilhas distantes e de lá trazem de volta desejos acumulados nas crostas do Tempo. Antes, tudo bem, isto, solidão e súplica. Entre letras e números, caravanas inteiras rumam ao mistério. Barcos em mar imenso face aos rochedos da sorte, habitam nuvens, cores, alimentos, famílias, saudades, composição inestimável de todos os ritmos e melodias.

Experimento dessas eras, sustentam aos ombros o fervor de mil sóis. Busca de certeza entre as árvores de uma floresta sem fim. Eles, um só. Senhores e cativos doutras civilizações, agora percorrem audazes os horizontes imaginários. Horas a fio, chamas vivas dos sentimentos que lhes percorrem as entranhas.

Carrilhões das catedrais onde acedem tantas tochas, mergulham no silêncio e, areia dos desertos sacrossantos, descrevem traçados fantásticos de sombras em volta dos céus. Vez enquanto, outrossim, devoram as palmeiras dos oásis e somem contrafeitos nas escórias dos depois. Bem certo que regressam, noutras paragens, e destarte prosseguem no crivo da imensidão.

E isto o que se sabe


Das tantas revelações que circulam pelo mundo, em termos de conhecer a Verdade e desvendar o segredo da Consciência, observo, entretanto, o método definitivo de chegar à pura compreensão. A que se pegar nos termos práticos? Qual assim o gesto crucial que consta das litanias, dos sermões religiosos, filosofias, definições psicológicas? No seio das criaturas humanas perdura o senso dessa busca inefável. Encontrar, encontrar consigo mesmo, distinguir o princípio do Universo e acalmar as perquirições, neste abismo daqui do Chão. Afinal, em quem depositar toda a carga das odisseias de tantos em que apenas alguns tendem revelar, e dizem haver obtido?

Há enciclopédias incontáveis de tradições e crenças a nortear os destinos. Mestres sucessivos narram de seus paradigmas através dos tempos. Máquinas de conhecimento que revertem nas interpretações mil palavras de virtudes. Subtendem conceitos preciosos trazidos ao lombo dos desertos e das histórias. Heróis, aventureiros, peregrinos, invadem, com isso, o campo das alquimias e contam lendas inesquecíveis, feitas de versos, romances, roteiros. Conquanto realistas a valer, no entanto reclamam métodos pertinentes que possam tocar adiante no rosto dos aprendizes.

Depois, percorridos que sejam calhamaços inteiros das revelações,  convêm as certezas que todos trazem na alma, instrumentos plenos dessa iluminação. Enquanto isto, no correr das epopeias, estas, a bem dizer, são repetitivas. Quase que numa constante reedição, tal qual ninguém houvesse escutado as muitas narrativas de transformação até aqui superpostas e difundidas.

Daí o desejo voraz de saber donde vem, aonde vai, quanto querer na forma de letras e papeis espalhados neste lugar. Numa prática fiel, a que simplicidade resumir os volteios da História e fazer da Terra um lugar de Paz e Felicidade. Durante, pois, longas jornadas, o Infinito perfaz as circunvoluções e permanecemos céleres nas suas justas circunstâncias, parceiros fieis do quanto possa existir.  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As armadilhas do caos


Sei que se habita um território pessoal, exclusivo, onde há liberdade incondicional predomina. Porém desse mesmo flanco interno nascem as decisões. Nelas, as rendições e os riscos em potencial. Neles, as dependências do ego. Quais sejam, as vaidades, os humores, os desejos, falsos ganhos, ilusões. Nisso, da própria criatura vão as suas quedas. Riscos mil rondam os muros da individualidade. Fôssemos apurar, as fraquezas seriam as mesmas quedas de que anseia fugir. Os ranços de atrasos que subvertem a razão, a justiça, a verdade. Espécies de cativos das pessoas limitações que ainda transportam vidas e vidas, multidões arrastam o peso de atrasos crônicos. Dali, as ditas tragédias indicam o nível de evolução dos seres, a par da Consciência em aprimoramento.

Dentre outros desses ardis que moram ali ao lado, a bem dizer aliados convenientes aos interesses em jogo, despontam os vícios, as carências, perdições por vezes inevitáveis ao crescimento. Testes sucessivos alimentam de vaidade o querer em vias de afirmação. As sociedades refletem essas mesmas limitações nas instituições precárias que lhes sustentam à face dos destinos. Resulta daí o instinto de sobrevivência, indivíduo a indivíduo, conquanto diante dos remorsos, mágoas, guerras, desperdícios.

Há que supor, vive-se aos olhos do caos em movimento quais minúsculos componentes de um quadro monumental. Ao furor das condições inevitáveis deste sistema, de tanto partilhar desafios externos, regressam a si, numa alternativa crucial de autodescoberta através valores em volta. Perante o eterno dos dramas e avanços das existências, tal momento ressurgem daquilo que antes aparecia a título de única finalidade, só existir. Isto lembra o mito de Platão e a função natural do quanto persiste seio das estruturas universais. A pessoa despertará, certa vez, das disposições aparentemente inexpugnáveis da presença física e distingue a luz desde sempre guardada no coração, ansiada por todos. Eis o trilho determinante das vidas em órbita no transcorrer das existências.

O conhecimento dessa estrutura de personalidade ora preenche laudas e laudas, no decorrer das muitas civilizações. Resta, no entanto, desvendar no mais íntimo esse modo desse controle da vontade e praticá-lo nas bases suficientes da plena realização do Ser, o mistério da essência de tudo, pois..

(Ilustração: Homem alimentando gansos (Cracóvia).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A imprevisibilidade do instante seguinte


Os mistérios da Natureza, isso do que compõe a barca da sublimidade, poder detém inexplicável o segredo em termos eternos. Por mais investiguem os fenômenos do Tempo, soturnamente prevalece o instinto da incompreensão por dizer absoluta. Qual se veja sob o crivo da imaginação, destarte segue o correr de todo acontecimento. Colunas descomunais de forças até então desconhecidas formam o furor das imprevisões. Algo assim semelhante aos véus que já encobrem de antiguidade aquilo que antes aconteceu.

Isso traz consigo a fleuma do inesperado em marcha continua, porém. O entremeio dos instantes, forma-se, pois, a jornada frontal do inconcebível em termos humanos. Dotados, por isto, de dúvida constante, eles vagam estremecidos pelas florestas desconhecidas da fortuna. De uma hora a outra, tudo parece reverte o senso da expectativa e demonstra valores até agora fruto só dos sonhos.

À busca dos motivos dessas elocubrações e fantasias, à luz das suposições, deslizam pelos dias hordas inteiras de tais expectadores do próprio anonimato. Apenas nisto, mínimo fator de sobrevivência, o que nos aguarda bem ali depois deste agora ferrenho, inevitável?!

Aspectos outros, contudo, subsistem aos penhores da procura, numa sede admirável de reviver o que escorrera há pouco pelas frestas do passado. Espécies quais senhores provisórios do que ora estejam a viver, nem de longe resistem à equação da ausência em queda livre rumo do abismo das alturas de quantas ocorrências enigmáticas. Batem a todo instante às portas dos seres abstratos que significam, face a tanto; mesmo sementes da inexistência que transportam no íntimo, ainda alimentam com sabedoria certezas a toda prova.  

Portanto, frutos da árvore da ciência do mal e do bem, saboreiam na essência de si o prolongamento do inigualável que o traz aqui, místicos autores de uma única realidade definitiva.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fronteiras do inexplicável


A harmonia, eis o crivo perfeito da Natureza... Desde os inícios tem sido assim; quer-se encontrar provas da existência de um Ser Superior que esteja no além, entretanto defrontam o inextinguível nas raízes abstratas donde isso possa ter vindo certa feita. Exatidão suprema, luz a mais intensa, os olhos brilhantes do firmamento, o silêncio vago das noites, manuscritos sucessivos que, logo ali, sobrevoam de volta o senso das alturas e trazem consigo as mesmas indagações. São tratados incontáveis, crenças, condições... De tão evidentes, nem se mostram só pela mera força do querer, dos caprichos, da sorte. As religiões anímicas detêm diversas as formas dessa fonte inesgotável nos seus tantos deuses espalhados nas muitas engrenagens que movimentam o Universo inteiro. Orixás das várias nuances percorrem os ritos mágicos, a demonstrar contexturas transcendentais naquilo que buscam demonstrar nos rituais soturnos. Energia. Energias. Fontes vivas do quanto existe entre os céus e a Terra. Enquanto que, junto de nós, a valer definições profundas, imperam fenômenos inigualáveis de poder ao fragor dos que veem pela imaginação a olhos vistos. Dar-se conta dos seres que movem o mundo em fagulhas próprias, das maiores às diminutas, ciência universal que preenche conceitos e dogmas de um a um, nas doutrinas, nos parlamentos, motivo suficiente de sustentar as bordas nas existências ocasionais, durante o quanto sejam pertinentes. Nisso, contudo, entremeiam de claridade as limitações humanas, seus afazeres e códigos, ao sabor das individualidades. Nem por isso, face a tanto, estagnam as longas histórias. Palavras falam disso. Dos acordes de tardes siderais. No sorriso das crianças. Na simplicidade das coisas simples. Transes e lembranças infindáveis ser-se-iam marcas indeléveis nas cores, nos astros, nos sonhos. Disto, despertam os sentimentos que alimentavam as horas dos segredos guardados. Vozes sussurradas apenas segredam aos corações aquilo que sempre aguardaram silenciosas as certezas da Perfeição.

sábado, 10 de janeiro de 2026

As árvores sentem saudade



Tal os animais, imagino que as árvores também sentem saudade. Soberanas vezes a gente pode comprovar isto. Dos animais, ninguém duvida, basta criar e acompanhar algum tempo. Vezes sem conta, após longos itinerários, lá de novo conosco se encontram e fazem festa de causar espanto. Alguns até, dizem ser mais sinceros do que os racionais, apesar destes também serem do mesmo reinado. Quis usar, no título, uma interrogação. Mas a escrita se propõe responder e não querer resposta.

Mesmo assim, face aos desmatamentos generalizados da atualidade, isto pelo mundo inteiro, mormente nos países onde ainda existem florestas, creio existir algum apego das árvores com as pessoas. Nisso me veio à lembrança um tempo em que vivi com meus irmãos e meus pais numa casa de área espaçosa em volta, no Bairro Pinto Madeira, em Crato. Nesse terreno existiam nove mangueiras, de famílias diferentes, a maioria manga espada. Moramos ali durante aproximados dez anos. Juntamente com os meninos da vizinhança, desfrutávamos a valer daquelas sombras em brincadeiras, longas conversas e descanso do meio-dia. A safra era o melhor tempo. Frutas a valer. Abusávamos de tanto chupar as mangas doces e deliciosas.

Lá adiante, meu pai construiria nossa casa própria nas imediações, inícios dos anos 60. Não posso assegurar, porém avalio que eu e a meninada da redondeza sofremos com a distância imposta às mangueiras, só que me vejo sem instrumentos de calcular o sofrimento das árvores no sentido contrário, elas a nós. Testemunho, no entanto, que duraram pouco tempo vivas. Secaram quase na mesma época, poucos anos depois. Foram murchando a folhagem. Ressecavam, deixando à mostra as galhas vazias ao Sol.

Bom, na verdade, são meras cogitações literárias de que haja sentimento fora dos seres humanos, isto noutros seres vivos, das árvores aos animais irracionais. Doutro jeito, eles têm quase tudo o que temos, apesar de menos drásticos nas suas atitudes.

(Ilustração: A árvore solitária, de Caspar David Friedrich).