domingo, 22 de fevereiro de 2026

Um tempo subjetivo


Ser-se isso, o transcorrer das próprias sombras e avaliar tais rastros ficados nas encostas de traços assim largados nalgum chão dalgum lugar. Depois de muita procura, eis que se depara consigo no correr mecânico dessas horas. Pedaços reunidos e, dali, provem aquilo desde antes considerado existir. Tais portadores de faixas sucessivas dessas histórias contidas pelos pensamentos, considera, então, único lá dentro das tantas avaliações traduzidas em falas, imagens, locações, esses entes que percorrem as trilhas do Destino de almas em punho.

Isto só depois das quantas presenças ali ao lado, mãos postas no arco das estruturas montadas a título de cenário. Disto, são muitos, infinitos fossem, decerto, o porquanto contar e achar de limites os circuitos das memórias que, de longe, transportam na alma. Esperam, silenciam nas noites escuras a visão e reveem trechos inteiros de antigas escrituras encontradas entre os escombros dessas lendas mais antigas.

Sabem de si quantas vezes, porém absortos se deixam passar nos trechos por demais importantes dos longos intervalos, perdidos ou ignorados. Eles, no entanto, padecem face a isto, submissos a determinações imaginárias. Bem ali próximos, outros também reconhecem o valor das narrativas que transportam aos ombros. Constroem pontes imensas a meio dos momentos e as cruzam de olhos fechados, sob o risco das profundezas que logo avistam sob os pés.

São espécie de visagens recém criadas no íntimo, descritas na superfície do mundo que preenchem aos poucos. Primeiro de palavras, em seguida antepostos no coração à forma dos sentimentos vagos. Transpiram, quem sabe?, novos habitantes desses universos que carregam sem reconhecer; figuras feitas ao sabor das ausências e refeitas na medida dos sonhos. Realidades que signifiquem, arrastam pelos dias fardos imensos de interrogações. Gotejam no Infinito o pouco daquilo descoberto na imensidão das consciências. Contribuem, na verdade, com o passar dessa voragem que apenas escreve nos sóis algo de tamanha profundidade, mas hão de reconhecer nisto o motivo essencial de habitar as hostes acesas dos firmamentos.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Trilhas desde sempre percorridas


Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de antigamente. Dotados das razões parciais, descortinam incontáveis as paisagens, no transcorrer do inextinguível. Fragmentos desses tempos, remoem as estruturas onde vivem, numa condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das horas. Daí, sede insaciável de novos mistérios lhes irrompe no fervor das sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.

Conquanto por vezes silenciosos, só reconhecem, sem fim, o sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter sido. Assim, os verbos tornam-se exíguos, na ânsia de continuar sobrevivendo. Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pela História e logo depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito que aguarda os quantos estiveram nos sonhos.

Dos roteiros inéditos, as lendas deixadas no eito perene de tudo, sinais de pedra dos que chegavam e, lá um dia, viraram pequeninos seres, noutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram, no correr das gerações; abraçam ideais inesquecíveis, rápido inscritos nas estrelas, singulares certezas que poucos já sabem, artífices de toda jornada, aves de todos os voos.

Disso que hoje se pode ser há de haver, no correr das escolhas e dos amores, o quanto existe. Pendores submissos, contudo, desejos inefáveis, percorrem de inumeráveis saudades feitas de viagens e lassidão, resquícios dos seres trazidos pelas naus do insondável. Astutos habitantes, pois, dos lugares recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos aos céus e sóis. Nisto, pouco ou nada ilustram de falas os objetos e as sequências, retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos de que foram elaborados. Passos silenciosos, apenas, e deles constroem as muitas moradas aonde viverão certa feita.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Bem doutras dimensões


Enquanto que os pensamentos conduzem, os sentimentos assistem a esse andar de acontecimentos qual quem resume a razão de existir. Nisto, viaja o Tempo por dentro, a transcrever o crivo dos destinos. Mares imensos desses entes assim estabelecem na memória estradas sem fim de transformar histórias em definições, na essência de tudo para sempre.

Tais artífices daquilo em que consolidam presenças em monumentos, daí denominam de civilizações. No entanto quem as fazem são seres individuais, a sumir inevitavelmente nalgum universo dos quantos persistem pela Eternidade. Isso pode, também, se encontrar nos sonhos. Resquícios vindos desses recantos da Natureza, já trazem consigo histórias intermináveis, sinais gravados de pensamentos e sentimentos que ora vagam ao léu da sorte. Foram muitas dessas interrogações que preencheram o espaço das lembranças e jamais os deixarão do teto de continuar.  

Nisto, indícios constantes de outras dimensões andam soltos no vão dos indivíduos, a conduzi-los ao modo das existências e dos lugares daqui do Chão. São tantas as sentenças, os pressentimentos, intuições doutras eventualidades, a encher de formas e cores quantos objetos sujeitos a encontrar qualquer vez. Em razão disto, os roteiros, as visões, os valores, caravanas inteiras de forasteiros a desembarcar, de uma hora a outra, nas consciências dos que aqui estejam.

Daí, gestas, narrativas incontáveis, cavernas misteriosas, sons adversos, inesperados, rastros informes desses todos que passaram nesse meio tempo, astutos autores das quantas histórias. Revivem, sustentam, anunciam, contatos por vezes indecifráveis de notícias inesperadas. Isto leva a imaginar, nalguma noite, as origens só agora trazidas de volta ao pomo da consciência. Quereres, ritmos, previsões, numa sequência exclusiva de traduções pessoais, no jeito próprio dos que viveram aqueles momentos e os esqueceram de volta.

Espécies de presenças até então desconhecidas nas mesmas pessoais, todavia sem nenhuma alternativa a não sustentar o feixe das compreensões e aceitar de bom grado o que lhes vem pelas vagas do silêncio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Artesões da sobrevivência


E nisso refazem caminhos até então desconhecidos. Estabelecem metas. Criam gado. Escrevem argumentos. Superam crises. Ocupam postos inacessíveis. Eles, mar imenso dessas iguais criaturas num horizonte coberto pelo lodo das eras intermináveis. Mas, diga mesmo, se tal não seria, a bem dizer, inacreditável diante o fosso doutros universos se não este que ora presenciamos, de largas montas daqueles outros que ficaram lá atrás?! Esforços sejam feitos e novas descobertas dar-se-ão das mais antigas civilizações, de novo encher páginas e páginas desses diários apressados que deixaram as viagens à nossa frente. Ver valores. Alimentar diapasões. Transitar a meio de caravanas outras, de línguas desconhecidas, olhos postos no fluir das gerações. Sustentar no íntimo as profundezas e os abismos, sorrir de controversos aos mínimos acordos firmados com o mistério, desvendar segredos guardados nas cavernas e nos sonhos.

Depois, lembrar do quanto houve, acreditar no que há de vir, submissos ao código infindável. Tudo a meio de palavras incontáveis, sombras que preenchem os céus e deixam cair de tudo os frutos das tantas solidões. Nalgumas vezes, revelam seus desejos de místicos louvores a quantos ídolos desde longe trazidos nas distâncias. Disto, o ritmo sincopado dos milhões de estrelas lá na escuridão dos vales. Sabem de si quase o suficiente de viver e nem por isso compõem os quadros infinitos das verdades eternas presas no coração.

Assim, entre imaginação e desaparecimento, vórtices de luzes inesgotáveis, os protagonistas das existências transitam pelos hemisférios, na busca de, certa feita, interpretar as mesmas guarânias contidas nas filosofias, nos dilemas originais e na infância. Tal seja, no penhor da ansiedade, persistir atônitos, impávidos senhores dos quatro pontos cardeais. Escutam o som das noites quando adormecem nos próprios braços. Cadenciam, desnorteiam, visitam lugares insólitos. Emissários de sóis inigualáveis, viajam pelos pensamentos, livres quais fossem das artimanhas do Destino. Intuem, no entanto, aonde vão chegar, face a face com o inesperado em movimento.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instintos e sentimentos


Esses os motivos das criaturas humanas, ao impulso de cumprir princípios guardados sob a sete capas dos destinos. Tantos seres, quantas histórias. Ao peso de existir, vêm as recentes descobertas individuais. Toques sem conta pelas paredes do céu e, gradualmente, revelam a si o tal sentido das visões que antes tiveram. Enquanto isto, preenchem cadastros, abrem cadernetas, totalizam estatísticas, no prisma constante das gerações. Aqui e ali, são vistos no trânsito, nas noitadas, acampamentos, viagens de um furor do inevitável. Bem isto, à conta de identificar profissões, aventuras, desempenhos.

Porém significam algo além de tocar no duas estruturas das compreensões, e lá num tempo desvendar as chaves dalgum mistério desse longo itinerário. Quer-se mergulhar noutras histórias, contudo blocos coesos de consistência definitiva os mantém nas paredes a dizer instransponíveis, exclusivas de cada um, circos ambulantes a vagar pelos vagões do Infinito.

Mártires, heróis, soberanos, subalternos, longas narrativas de quem há de transpor consigo metas ainda desconhecidas, em epopeias de experiência de causar espanto. Esse o perfil das tais criaturas que persevera desde sempre que delas se têm notícias pelo mundo. Muitos desses quais dotados de quanta genialidade em fase de aprimoramento.

Neste meio período da sorte, superpostos conceitos transportam assim vidas e vidas, no intervalo da ilusão com a verdade, pelo que exercitam o crivo da perfeição no mar das consciências. Nos primórdios, supõe-se haja sido tal e qual, pastores do pensamento em noites de sonhos. Eles, às vezes, pressentem largas interpretações, e dividem aos outros aquelas imagens arquitetônicas. Depois, passadas iguais conveniências, esquecem coletivamente o que alguém imaginou e deixam fluir novos enredos. Padecem perante o silêncio essa fome de querer conhecer. Aquietam os ânimos e desfazem estruturas antigas. Transitam, pois, no meio de duas margens, espécies de cavaleiros andantes de sortes imprevisíveis, verdadeiras loterias ao léu da perfeição.

Qualquer deles justificaria as andanças dos próprios pés, entretanto de olhos postos na distância das luas, no sabor de amores inigualáveis que sejam e alimentam.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

As várias ruas da História


Mesmo porque de nada adiantaria permanecer num só lugar enquanto tudo gira a não acabar mais. São tantas as facetes dos ditos acontecimentos vividos, percorrer as pessoas, deixando de lado qualquer versão definitiva. As trilhas, os muafos do quanto existiu em profusão pelos universos cá de dentro. Seres amorfos, espécie de transcurso de gerações sucessivas numa única criatura, a descrever paisagens e narrar momentos, obstinação por demais esquisita.

Daí nascem as películas, tentativas vãs de uns chegar aos outros dalguma forma, na intenção de quebrar esse gelo que os envolve. A todo instante, muitos e muitos artefatos de novo norteiam o tal sentido dessa busca informe. Desfazem seus dramas a contar detalhes daquilo talvez pouco significativo, no entanto necessário de satisfazer princípios neles próprios criados. Transitam, pois, essa longa cratera onde habitam multidões inteiras por si só, contudo perdidas em mares até então ignorados. Outrossim, o Tempo trabalha solto perenes desempenhos dos moradores desses bairros afastados das tantas cidades. Espalhadas num longo território de uma só direção, farejam do Destino suas pequenas marcas, trabalhado o instinto de prosseguir a todo preço através do Cosmos silencioso.

Nisto, cotejam aqueles lugares transitados nos dias lá de antes. Reveem com relativa clareza as pessoas dali, parceiros daquelas aventuras, diversos tipos, diversas categorias de gente. Talvez tenham seguido outras conotações, quem sabe já desaparecidos desse chão, todavia sobreviventes efetivos no universo das individualidades. E vem, sorriem, conversam; deixam marcas, e mergulham naqueles pensamentos daqueles estrados tão antigos.

Conquanto permanecem acesas as paisagens dessas histórias internas, séculos intactos doutros roteiros ainda persistem fincados no solo das lembranças. Nesse diapasão inevitável, as palavras ressurgem soltas, cobertas dos sentimentos entranhados nos mistérios das horas que se foram, fazendo-nos protagonistas das cenas que resistem nos menores detalhes, objetos esquecidos pelas encostas da compreensão. Luzes que piscam intermitentes na memória. Ânsias sem par de saber o tanto de tudo aquilo  regressa com tamanha grandeza, dono poderoso de toda existência de que jamais se libertarão.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mistérios do inesquecível


Invés de sumir no vácuo definitivo, vez em quando refaz o percurso e traz de volta tempos inteiros, de certeza nunca desaparecida. Das quantas qualidades, a memória reveste os humanos das tais armaduras metálicas daqueles guerreiros de antigamente. Nisto são as palavras, os códigos e as crenças. Sustentam estruturas profundas no âmbito da consciência, regressando quando menos esperar. Não fosse tanto, perder-se-iam heranças inteiras de averiguações deixadas no campo do passado inevitável. Face a face consigo, indivíduos observam aonde seguir o ritmo dessas lembranças, lastro de percorrer a busca do que tornará qualquer tempo.

Nem de longe haverá de inexistir aquilo que antes foi. Espécie de fisionomia das pessoas, transita fácil nos dramas acumulados pelas histórias deixadas. O que tem de sobreviver já agora envolve de verdades e soluções provisórias até, quem sabe?, esquecidas. Noutros dizeres, ninguém foge de si. Superpõem mil visões, porém à espera do que virá logo após. Conquanto o exercício das falas, nasce do restante do que ficou nas consciências, tantos que padecem de negligenciar as consequências desse acervo de gestos e posições em movimento.   

E saber que tudo é vivo na memória, desde os séculos menos arcaicos. Números. Letras. Formas. Cores. Ali circulam vorazes os trastes do que fora e repercutiu nalguma certeza. A vontade do querer, a fome de permanecer, os ritos, as negociações entre ficar e desaparecer nas garras do imediato. Suaves recordações insistem continuar, sobremodo agora, prenhes doutras verdades desde então adquiridas nos impasses ou superpostos perante o travo do que se foi nesse nunca mais. Daí, emerge sorrateiro o sentimento da solidão, que alimenta o instinto de construir algo real, lúcido, do acervo das quantas histórias.

A seguir assim, que outro meio inexiste, perdura que denominemos cultura o que foi a sombra e inundou os céus de expectativas do que virá certa feita logo adiante.