A recordar um filme de Ingmar Bergman, O sétimo selo, me volta pensar no instinto dos humanos de serem perenes e não apenas mortais. Na constante busca de refazer os destinos, traz o Tempo meios outros que não só esses daqui do Chão. Nisso, aquela intenção substancial de vencer o invencível, sobremodo no que consiste propagar o eterno drama de aqui deixa tudo de mais preciso sob o prisma da matéria física. Contar versões menos esperadas e tonificar de cores a transição entre o visto e o invisível. Noutros termos, sobreviver ao desaparecimento, na rota sistemática do quanto existe.
Portanto, olhos posto nesse correr de tudo aos braços do
Infinito, perdura o sonho de conhecer os segredos dos passos fatalizados nalgumas
tradições, de expectativas e sustos, e ver nas circunstâncias sumir as legendas
numa velocidade insistente. Nas lições de meus pais, sempre havia um véu de
interrogação disso, de conhecer o que virá lá certa feita. Somos de uma família
de tradição católica, nem de longe a ensinar da Reencarnação. Os cânones religiosos
nos falavam de uma outra vida, circunscrita a Céu, Inferno e Purgatório.
Ao chegar no Colégio Diocesano, em Crato, onde cursei
Ginasial e Científico, tive amizade com o Vice-Diretor, Alzir Oliveira, que,
sabendo de meus interesses literários e filosóficos, ofereceu a que eu lesse o
livro A face oculta de mente, do sacerdote católico Padre Quevedo. Até
então nunca ouvira falar nas vidas sucessivas pela sequência das reencarnações.
No livro, o padre combatia com veemência este conceito, mas a mim foi uma grata
surpresa conhecer o que preconiza o ensino espírita: poder regressar ao mundo
físico, depois da morte, e continuar no processo evolutivo através das vidas
sucessivas. Um tanto da perfeição divina que nos conduz através das muitas chances,
até o espírito se livrar das limitações e chegar ao grau de pureza na sua evolução.
Aquela obra, pois, seria providencial a que viesse de revisar os meus valores
iniciais sobre a existência carnal e o segmento original das muitas oportunidades
em vista no transcorrer das quantas vidas.
(Ilustração: O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman).