quinta-feira, 5 de março de 2026

Palavras acesas


Lado a lado consigo mesmas, tocam o significado e do quanto existe. Dom de supremas verdades, espraiam sentimentos a torto e a direito pelas encostas deste Chão. Salvaguarda de tantos, mesmo assim sobrevivem às duras penas. Circunstanciais, irreverentes vezes outras, reúnem letras e formam sons nas consciências. A bem dizer, livres, suaves, constantes, andam pelos desertos, pelas cidades, aversas a tudo que seja de permanecer em único lugar. Nascem dos pensamentos, porém dotadas daquele afã de tantas luas e que narram do passado e o futuro o que virá numa maior sem cerimônia. Lustres, pois, dos palácios em festa, das cargas no lombo das criaturas, segmentos do que antes imaginaram, constroem o sentido das alturas nos abismos mais profundos. Um atributo a mais do quanto existe e permanência inevitável diante dos afagos e desesperos. Frações de tudo e resumo do quanto haverá lá um tempo a qualquer dia.

Depois das gerações, ali estarão, afeitas aos destinos que, de novo, haverá de vir dalgum hemisfério qual seja, circunspectas dos orgulhos, das pretensões dessas vacuidades que se arrastam nos mangues e nas noites. Risos, músicas, caprichos, vontades soltas e vagas, resquícios de antigos verões, de sentidos espalhados pelo vento aonde houve de chegar dalgum jeito. Ostras adormecidas pelos dicionários, nos grandes romances universais, nas notas das caligrafias deixadas pelas calçadas. Seres assim, por demais independentes de quem quer que as utilize; ardentes, fieis, circunspectas; dotadas desses todos pressupostos até então escondidos nos saguões desses hotéis de lixo, adormecidas e sagazes, a invadir os sonhos do inesperado.

Nisto, espécies de devotas credoras das maravilhas que tangem a humana presença nesses universos desconhecidos, fazem enxergar, de visão aberta; ver-nos-íamos, quem sabe?, delas os instrumentos, artesões da luz que lhes transportam o segredo lá desde quando... Arautos das verdades puras, alimentam e digerem as estultices siderais dos que viajam pelos céus da paciência. Nós, esse caudal prenhe de ampla felicidade, a todo instante presente e talvez sob o mistério maior do próprio Ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário