Isso de um senso do quanto existe pelas derradeiras frestas, a meio de tudo em volta. Unir em laços o que resta do tempo em movimento face a face consigo mesmo, nuvens sucessivas que percorrem as consciências e deixam de lado o quanto houvesse a dizer, porém nisto havendo dito intensamente. A quem pudessem chegar, desde longe imaginam o inevitável dessas horas de adormecer às folhas dos momentos, tais reflexos de sóis imaginários que transitem pelos céus silenciosos.
Elas assim percorrem esse lastro enorme do quanto existe e perpassam a todas as criaturas, ainda que submersas no Infinito. Avançam mesmo que tanto, e oferecem ramalhetes de perfumadas flores. Alimentam estados de espírito, fornecem mantimentos às poucas aves que sonham nos finais de tarde pelas sombras da Serra.
Contam, sim, de tantas lembranças presas às circunstâncias lá distantes, nas crostas de todas as lembranças que acompanham, devagar, o trilho do que então sobreviver.
Algo assusta, no entanto, a gritar suas falas intangíveis no firmamento das poucas réstias do dia que se vai. Descrevem, narram, sustentam saudades, vidas ali vividas E nisto querer narrar aquelas horas despejadas nos filões de ausências. Olhar em volta e quantas vezes saber que eles resistem ao furor do desaparecimento durante histórias e narrativas. Saem das cavernas de si próprios na forma de vultos dispersos sob trajes multicoloridos, a envolver relíquias largadas no teto desse teatro que o somos, no círculo das mesmas alturas que se foram, marcando a ferro e fogo os dragões do anonimato.
Sabem das súplicas o suficiente de continuar pelas eternidades. Vislumbram os detalhes ali depositados, feitos restos jamais abandonados de tudo. Conquanto assinalem o eito da memória, dúvidas e questionamentos, enxurradas sem conta do que hoje sejam, donde vieram e nem sabem direito aonde chegar. Compõem, todavia, o princípio da sobrevivência, salientando a claridade nascida dos corações em festa.
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